Nos bastidores, o preço do voto disparou antes da campanha começar
“Essa situação não se sustenta. Ou então teremos muito calote no final da campanha.”
De acordo com o blog do Ricardo Mota, essa afirmação veio de um candidato a deputado estadual calejado de eleição, acostumado aos bastidores e pouco impressionável com o submundo das campanhas. Desta vez, porém, ele saiu assustado.

A cena aconteceu no Agreste. Indicado por um aliado, procurou um suplente de vereador que, supostamente, teria “base forte” na região.
A conversa foi rápida. E objetiva. O suplente garantiu entregar 250 votos. Preço do pacote: R$ 250 mil.
Isso mesmo. Mil reais por voto prometido.
O candidato diz que pensou ter ouvido errado. Não tinha ouvido. “Parecia tabela pronta. Natural. Como se estivesse vendendo lote de terreno”, contou.
A negociação morreu ali.
“Eu preciso de cerca de 60 mil votos. Se essa moda pega, eu teria que vender até a alma para disputar. E mesmo se tivesse esse dinheiro todo, não gastaria nisso.”
Nos bastidores, o relato circula como sintoma de uma eleição que começa a atingir níveis surreais de custo político. A inflação chegou ao supermercado, ao combustível, ao aluguel — e agora parece ter chegado também ao mercado clandestino dos apoios eleitorais.
Tem liderança comunitária se comportando como acionista de multinacional. Tem cabo eleitoral cobrando como celebridade em fim de carreira. E tem candidato fazendo conta e descobrindo que talvez seja mais barato abrir uma empresa do que disputar mandato.
O problema é que, quando cifras desse tamanho começam a circular com naturalidade, nasce outra pergunta inevitável, quem está bancando isso?
Porque campanha milionária sem origem transparente costuma terminar em duas possibilidades: investigação… ou calote.
E, pelo nível das promessas que já circulam nos bastidores, tem muita gente correndo o risco de ficar sem mandato e ainda sair devendo.

