CENSURA: Estadão Alagoas passa a ter uma página dedicada à “Lei da Mordaça” após sofrer ataques de candidato

Palavras firmes e uma imagem emblemática. A jornalista do Estadão Alagoas, Grazianne Duarte, -MTB: 43.839/SP- se posicionou nesta quarta-feira (11), a respeito de uma matéria veiculada em um site local, a respeito de propagação de fake news por parte deste meio de comunicação que visa prestar um jornalismo sadia há 7 anos.

A jornalista decidiu não abrir espaço para pronunciamento sobre uma liminar na qual foi obrigada a retirar do ar no mês de maio de 2020, uma matéria baseada em um acórdão judicial, que relatava à época que o ex-prefeito  de Igaci e atualmente candidato, Petrucio Barbosa estaria inelegível.

Para a jornalista, foi uma “surpresa” ter a sentença exposta em pleno mês de novembro denotando a censura em pleno 2020. Conforme citou, o Estadão Alagoas retirou a matéria do ar, atendendo à determinação judicial. Além disso, a jornalista foi proibida de citar o nome do candidato tanto no site, como em suas redes sociais. O mesmo material divulgado pelo Estadão Alagoas sobre a inelegibilidade de Barbosa passou por redações do Cada Minuto, Tribuna Independente, inclusive, pela Tribuna do Sertão, que hoje a condena.

A diretora do Estadão Alagoas, também manifestou indignação. Nas redes sociais, disse que “ninguém pode conseguir em pleno século XXI calar jornalistas”. O Estadão Alagoas realiza cobertura jornalística em todo o estado, devido à seriedade e rigor na apuração, rapidamente angariou respeito de toda a imprensa, do meio político e do público alagoano.

O assunto também foi pauta em sua conta pessoal no Facebook e Instagram, no qual chegou a ironizar a censura à seu trabalho, apontando que tudo não passa de um método para neutralizar atualmente matérias de supostas violências políticas praticadas na cidade de Igaci e divulgadas pelo portal.

Confira nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO

 

Repúdio ao coronelismo e a Lei da Mordaça! E a qualquer ato de cerceamento do direito à liberdade de expressão.

Fui sentenciada em maio a retirar do ar uma matéria baseada em um acórdão judicial, que relatava à época numa postagem publicada em 2018, que o ex-prefeito  Petrucio Barbosa estaria inelegível. E naquele momento estava! Lembrando que nem tudo que é legal, é moral!
Ontem fui procurada pelo Presidente Nacional do Movimento dos Trabalhadores do Campo, Adriano Ferreira, que relatou agressão sofrida por supostos correligionários de Barbosa, inclusive, por meio de vídeo. Apenas transcrevi o relato do rapaz, jornalisticamente falando.
E no dia de hoje, fui surpreendida com uma matéria politiqueira de um site local e comentários duvidosos nas redes sociais do Estadão Alagoas, como forma de neutralizar os fatos das supostas violências políticas praticadas na nossa vizinha Igaci. A “mácula” de um verdadeiro jornalista, será sempre dizer a verdade. Eu sei o que é isso!
Me nego a acreditar, estamos em 2020 e o coronelismo tenta imperar, mas nada vai me calar, a não ser que seja à base da bala.  Mais fácil apontar o jornalista que apenas cumpre seu papel de relatar fatos, temos um exemplo claro em Alagoas, o jornalista Edmilson Teixeira, que recentemente foi atacado nas redes sociais e em sites duvidosos por relatar fatos. Mais fácil o político sem argumento atacar o jornalista do que se defender das acusações. O espaço permanece aberto.

Minha intenção não é atacar, mas defender o jornalismo sadio que o Estadão Alagoas exerce. Expor jornalistas à humilhação por cumprir o seu papel, é crime! A censura costuma revelar não apenas autoritarismo, mas a fraqueza encoberta pelo poder.Em plena democracia, o Estadão Alagoas vem sendo alvo de censura. O periódico vai passar a ter neste site, uma página dedicada ao tema a partir de agora.

Em 2016, o Estadão sentiu o peso da “injustiça”quando foi alvo de ação judicial coordenada pelo ex-secretário de educação de Palmeira dos Índios, Luiz Lobo, apontado em rede nacional na Rede Globo por desvio de verba. Apesar dos fatos, foi sentenciada a pagar danos morais à quem usurpou os cofres públicos. A investida ocorreu após uma série de reportagens publicadas sobre uso irregular de recursos.

Em quase 15 anos de jornalismo, essas duas ações contra mim e o Estadão Alagoas, foram sem dúvida, a maior arbitrariedade que já experimentei. Fica aqui meu voto de indignação por atos covardes, autoritários e sem precedentes. A democracia é uma planta frágil, que requer cuidados diários e permanentes esforços para aprofundá-la e aprimorá-la. Os governantes  ou postulantes devem dar bons exemplos, reafirmando os princípios democráticos e demonstrando tolerância com as críticas. Agir de modo diferente é dificultar o livre exercício do jornalismo.

É inadmissível que políticos, gestores e postulantes se escorem em legislações obscuras para disfarçar a censura. A inovação, aquilo que o Estadão Alagoas tem como marca desde que foi lançado, não pode ser calada para atender aos caprichos de qualquer que seja o grupo – sobretudo em ano eleitoral.

Entidades defensoras da liberdade de imprensa já se manifestaram em solidariedade ao grupo Estadão Alagoas. À todos, o nosso agradecimento!

 

 

Grazianne Maria Duarte Silva

 

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