Sem limite? Seis sinais que mostram que é viciado em sexo
Algumas pessoas são mais ligadas em sexo do que outras. Uma libido mais, digamos, animada pode ser o desejo de muita gente, mas pode se tornar um grande problema quando vira a principal fonte de prazer ou de contornar a ansiedade da vida.
Mais do que um contratempo, a sexualidade exacerbada é uma doença que, em 2018, passou a fazer parte da 11ª. atualização da chamada CID, sigla em inglês para a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde).
O transtorno do comportamento sexual compulsivo, nome correto do chamado “vício em sexo”, é caracterizado, principalmente, por atitudes constantes e repetitivas durante um período de tempo de pelo menos seis meses.
“A pessoa tenta se controlar, mas não consegue. Ela começa a priorizar o sexo em detrimento de outras atividades cotidianas, como relacionamentos afetivos, compromissos sociais e profissionais. Nem sempre essa compulsão inclui o sexo com parceiros, mas também o vício em pornografia e em masturbação”, conta Juliana Cambaúva, psicóloga, psicodramatista e educadora sexual.
Para a profissional, é necessário compreender que não é o número de vezes que uma pessoa faz sexo que determina o problema, mas a função das atividades sexuais. “O problema é que a pessoa sente-se dominada por ‘desejos incontroláveis’ e busca constantemente contatos sexuais com pessoas variadas, sem atentar para o autocuidado”, afirma.
A compulsão sexual prejudica o dia a dia dos doentes em diversos aspectos. As cenas de decadência física e emocional da personagem Joe (Charlotte Gainsbourg) mostradas em Ninfomaníaca – Volumes 1 e 2 (2013), de Lars von Trier, correspondem mesmo à realidade. “A pessoa cria sofrimento, dor e problemas para si e as pessoas ou a sociedade em geral”, frisa a especialista.
Enfim, as consequências vão desde o comprometimento emocional e dos relacionamentos principais, com brigas familiares, possibilidade de divórcio e perda da guarda de filhos, até isolamento social, queda da produtividade no trabalho e problemas financeiros por conta de desemprego até gastos excessivos com profissionais do sexo e consumo de pornografia e acessórios eróticos.
Os perigos mais graves são a contaminação por IST’s (infecções sexualmente transmissíveis), já que os compulsivos costumam transar com vários parceiros e, em boa parte das vezes, sem proteção.
“Há, ainda, o risco de detenção pela polícia por atentado violento ao pudor, já que muitas pessoas fazem sexo ou têm atitudes libidinosas em ambientes públicos”, comenta Juliana.
A cura, ao contrário do que se possa imaginar, não é a abstinência sexual. A psicoterapia (em geral, em grupo) é uma parte fundamental do tratamento, pois as pessoas aprendem ferramentas para lidar melhor com a compulsão e aprender a controlá-la.

