Lixão desativado em Palmeira volta a receber resíduos do município
Após quase 20 anos desativado por decisão judicial, o terreno onde ficava o antigo lixão de Palmeira dos Índios, no Agreste alagoano, voltou a ser utilizado irregularmente para despejo de resíduos sólidos do município.
Os moradores da cidade enviaram fotos e vídeos feitos no último mês que mostram uma enorme quantidade de lixo no local. Entre os resíduos também há lixo hospitalar. Eles dizem que é a prefeitura que está levando lixo para o local novamente.
Em contato com a reportagem, a prefeitura de Palmeira disse que a área é usada apenas para transbordo dos resíduos sólidos levados por carros pequenos, que são transferidos para coletores e levados para o aterro sanitário.
Porém, segundo os moradores, não é o que está acontecendo.
“Quando fomos lá [na prefeitura], o secretário de Urbanismo nos informou que a área só seria usada para o transbordo da coleta de lixo, que seria posteriormente transportado para Craíbas, e o terreno passaria por limpeza, mas isso não está acontecendo”, relatou a dona de casa Josineide Soares de Mendonça.
A área em questão fica próxima ao matadouro público e em perímetro urbano. Por isso, os moradores se preocupam com a retomada do lançamento de detritos no local. O terreno é da prefeitura e fica em um trecho da BR-316, próximo a um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
“Nós lutamos muito para conseguir fechar o lixão. Nosso terreno era o mais prejudicado, que fica na divisa. Perdemos animais por conta disso. Agora, decidiram voltar a fazer a mesma coisa. Havia vários buracos, com o lixo acumulado e decomposto. Eles cavaram, mas não conseguiram tirar tudo”, conta Josineide.
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Caminhão despejando irregularmente o lixo no antigo depósito, em Palmeira dos Índios, AL (Foto: Josineide Soares/Arquivo Pessoal)
Os moradores afirmam que a decisão que proíbe o despejo na área, obtida no ano de 2000 após um abaixo-assinado feito por quem mora na região e que reuniu mais de 100 assinaturas, foi ignorado a partir do mês de abril deste ano, quando o lixo voltou a ser jogado no local.
Após constatar novamente a prática do despejo no antigo depósito de lixo, Josineide e o marido, Marcelo Costa Ferro, foram à prefeitura questionar o uso da área com o documento da proibição em mãos, e foram informados de que o Instituto do Meio Ambiente (IMA) permitiu esse transbordo na área.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do IMA, que esclareceu que o lixão deveria se encontrar encerrado e a área embargada até que seja realizada a reparação da área degradada.
O IMA acrescentou ainda que a prefeitura de Palmeira dos Índios está em processo de licenciamento de uma outra área, cujo objetivo é a triagem e o transbordo dos resíduos sólidos, para posterior destinação final ao aterro sanitário mais próximo da região.
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Documento acatando abaixo-assinado feito por moradores do município afetados pelo lixão, no ano de 2000 (Foto: Arquivo Pessoal/Josineide Soares)
Comprometimento com o MP
Em dezembro do ano passado, os prefeitos dos municípios de Alagoas assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Estado de Alagoas (MP-AL) se comprometendo a encerrar os lixões até o mês de abril deste ano.
Ao fim do prazo, o MP-AL divulgou que 80% dos lixões em Alagoasforam fechados, somando os municípios que assinaram o acordo e os que fecharam voluntariamente. Entre eles, está Palmeira dos Índios.
Alguns municípios que não atenderam ao acordo pediram a prorrogação do prazo por conta da dificuldade de chegar ao aterro sanitário de Pilar, utilizado em modelo de consórcio.
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Lixo acumulado no depósito que deveria estar desativado em Palmeira dos Índios, Alagoas (Foto: Arquivo Pessoal/Josineide Soares)
G1

