Márcio Canuto completa 35 anos de cobertura de carnavais pela Globo
O Carnaval 2017 para Márcio Canuto já começou. Na verdade, nunca terminou. Há 35 anos cobrindo os desfiles das escolas de samba pela Globo, o efusivo jornalista alagoano de 70 anos acredita que todo dia é dia de estar na folia com o povão.
“Às vezes me olho no espelho e não acredito que tenho esse fogo”, diz Canuto em entrevista ao UOL minutos antes de entrar ao vivo pelo “SPTV” direto da quadra da Águia de Ouro, na Pompéia, zona oeste de São Paulo.
São 10h de um sábado ensolarado, e o repórter, que despertou às 5h, é pura animação. “Acordo com dificuldade, mas no que eu lavei o rosto e escovei os dentes já estou na propulsão”. Depois de tomar café da manhã com a equipe, ele ensaia com os integrantes da Águia de Ouro para o quadro Roda de Samba. “Enredo de escola de samba é sempre uma coisa complicada. Nosso objetivo aqui é fazer uma boa tradução”, explica entre uma lida na pauta e uma paradinha para selfies.
O assédio constante não atrapalha em nada, garante Canuto. Pelo contrário, o repórter abraça, beija, pega no colo e encosta a testa na cabeça dos admiradores. É tão carinhoso que às vezes fica difícil saber quem está tietando quem. “Sou um especialista em povão”, resume.
A simpatia genuína também é uma estratégia para que o trabalho dê certo. O segredo de um bom ao vivo, ensina Canuto, é transformar todos os envolvidos em coautores da reportagem. “Você está na casa deles, precisa trazê-los para junto de você. Todo mundo precisa sentir que ajudou um pouquinho”.
Para evitar surpresas, a equipe do “SPTV” grava uma sequência antes e manda para a redação. “Enquanto eu estou ao vivo, vai correndo um VT em paralelo. Se dá alguma coisa errado, pelo menos já tem a salvação”, profetiza o jornalista, mais do que familiarizado com a lei de Murphy (“se algo pode dar errado, dará”). Até por isso ele mantém o hábito de fechar os olhos e rezar antes de entrar no ar. “Também converso com a câmera. Não é de todo mundo que ela gosta”, brinca.
Como esperado, o ao vivo de 3 minutos com Canuto sobra em empolgação, mas nem tudo corre bem. O repórter dá uma leve engasgada enquanto fala. A parte de trás da saia de uma das passistas desprende e ela arremessa a peça pelos ares. Animada demais, uma ritmista derruba o chocalho no chão. Felizmente, nada é flagrado pelas câmeras e só por mais um dia Canuto não vira meme.
Adepto do WhatsApp e do Instagram – “Facebook é demais para mim” -, Canuto se diverte com a repercussão que seus micos ganham na internet. O preferido do repórter é o do garoto Mateus, que foi sucesso ao questionar: “Cachorro? Que cachorro o quê? Eu não sou cachorro, não”.
Já o viral que mostra o jornalista acertando uma bofetada em um fã que largou o emprego para assistir o show de Madonna causa um certo pesar. “Aquilo foi lamentável”, diz. Outra lembrança dolorosa é a do tombo ao vivo durante a transmissão do desfile das campeãs de São Paulo em 2015. Apesar de ter seguido no ar por mais três horas, Canuto fraturou o ombro e precisou ficar afastado da TV posteriormente para se recuperar.
Foi nesse período que o jornalista, fã de cinema, se familiarizou com a Netflix. “Não gosto de série. Série é uma coisa que você não consegue ver um episódio só. Uma vez dessas, quando eu estava em casa porque quebrei o ombro, comecei a ver série à noite e quando fui ver já era 10h”.
A grande paixão do alagoano, além da mulher María Líbia, com quem é casado há quase 20 anos, são os passeios culturais. Fã de rock clássico, ele diz que não perde um show em São Paulo.
“Paul McCartney, Kiss, Black Sabbath. Fui no Pearl Jam, mas gosto mesmo do ‘classicão’. Todos os shows que eu quis ver na vida eu fui, mas nunca ganhei um ingresso, nunca pedi nada a ninguém”, ressalta Canuto, para quem o jornalismo é uma missão. “Sou um cara que faz as reclamações do povo, como é que eu vou pedir um ingresso, e depois vou lá criticar o cara?”
Fonte: UOL

