A última lição do professor do IFAL
A morte do professor do IFAL, Jorge Luiz Scrther, de 53 anos, deixa uma grande lição para o jornalismo, muito embora o saudoso mestre tenha lecionado num outro campo da ciência.
O primeiro aviso dando conta da sua morte delineou detalhes dignos de confetes, num exemplo fantástico de um delirante jornalismo investigativo;
– “Policiais do Batalhão de Polícia de Eventos (BPE), que atenderam o caso, acharam marcas de sangue na parede da casa. Após perícia do Instituto de Criminalística (IC), o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Maceió. – Um procurador da vítima informou a polícia que desapareceu da casa um notebook, um aparelho celular e uma carteira porta cédulas. A polícia ainda não tem informações sobre o que aconteceu no local.”
Jornalismo é a atividade informativa, realizada periodicamente e difundida através dos meios de comunicação de massas (imprensa, rádio, televisão, imprensa online).
Este é o conceito da nossa profissão como atividade regulamentada, possuidora de um código de ética, nem sempre corretamente observado.
Art. 12. O jornalista deve:
I – ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;
II – buscar provas que fundamentem as informações de interesse público;
Pois sim; “Atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado”.
O que é um portal de notícias? — “Um portal é um site na internet projetado para aglomerar e distribuir conteúdos de várias fontes diferentes de maneira uniforme, sendo um ponto de acesso para uma série de outros sites ou subsites internamente ou externamente ao domínio ou subdomínio da empresa gestora do portal.” – Assim sendo não há proibição legal para que um portal possa reproduzir qualquer tipo de conteúdo advindo de outro site, devendo, contudo, citar a fonte da matéria, principalmente a nascente, geradora do conteúdo.
O que acontece, muito embora raramente, é que nem sempre a fonte do CRTL+C é bem especificada no CRTL+V. E, quando o conteúdo não foi apurado devidamente pela inicial geradora da notícia, uma boa parte do nosso jornalismo está assumindo a responsabilidade pelos erros de informações, muitas vezes danosos à sociedade de uma maneira em geral.
Quatro fatores principais influenciam na qualidade da notícia:
1.Novidade: a notícia deve conter informações novas, e não repetir as já conhecidas;
2.Proximidade: quanto mais próximo do leitor for o local do evento, mais interesse a notícia gera, porque implica mais diretamente na vida do leitor;
3.Tamanho: tanto o que for muito grande quanto o que for muito pequeno atrai a atenção do público;
4.Relevância: notícia deve ser importante, ou, pelo menos, significativa. Acontecimentos banais, corriqueiros, geralmente não interessam ao público.
Notícias chegam aos veículos de imprensa por meio de repórteres, correspondentes, agências de notícias e assessorias de imprensa. Eventualmente, amigos e conhecidos de jornalistas fornecem denúncias, sugestões de pauta, dicas e pistas, às vezes no anonimato, pelo telefone ou por “e-mail”.
Tenho o hábito de dizer, que nem sempre o “furo” é a melhor notícia. O “furo” ( jargão para a informação publicada em um veículo antes de todos os demais), muitas vezes é redigido no calor da emoção e sem a precisada apuração.
Observem como exemplo, notícias de desastres aéreos; “Cai um Airbus-319 da Companhia Não Sei Das Quantas…” – O apressado, que come cru, e sabe a capacidade de transporte de passageiros de tal aeronave, já coloca no subtítulo o número de passageiros e tripulantes mortos, números variáveis entre a guerra fria entre as empresas que produzem jornalismo. Na maioria, o que era para serem 156 mortos, no final os órgãos responsáveis pela apuração do acidente apresentam números que variam, e muito, para mais, ou para menos. O que significa que na ânsia pelo furo, tudo não passou de mera dedução precipitada, e sem a devida apuração.
Resumo desta balada:
“O Instituto Médico Legal (IML) informou, nesta segunda-feira (1), que o professor do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Jorge Luiz Schutze, 53, morreu de causas naturais. De acordo com o órgão, Schutze faleceu após sofrer um infarto agudo do miocárdio.
O delegado de homicídios, Rubens Martins, confirma a versão do IML. Ele explica que peritos realizaram a vistoria do corpo. “Apesar de inicialmente haver a suspeita de que o corpo tinha marca de agressões no pescoço, o professor morreu de causas naturais”, ratifica.
Esperando que não surjam mais versões, reafirmo que lamento a morte do professor, e que também aprendi uma excelente lição; que nas reproduções que eu possa fazer de algumas notícias, nunca deverei esquecer a citação da fonte. E que, nas minhas notícias produzidas, devo sempre observar a sua estrutura fundamental; O que, Quando, Aonde, Por que, Quem etc.
* Constituição Federal de 1988 ao estabelecer que é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional (artigo 5º, inciso 7º, caput e 71), ao disporem que será assegurado e respeitado o sigilo quanto às fontes ou origem de informações recebidas ou recolhidas por jornalistas, rádio repórteres ou comentaristas, os quais não poderão ser compelidos ou coagidos a indicar o nome de seu informante ou a fonte de suas informações, não podendo seu silêncio, a respeito, sofrer qualquer sanção, direta ou indireta, nem qualquer espécie de penalidade.
Fui!
Austrelino Bezerra

