Casos de Leishmaniose aumentam 500% e Aids 170% em Alagoas
Os casos de Leishmanionse aumentaram 500% em Alagoas e os de Aids 170% em março deste ano, comparado ao mesmo período de 2014. Os números foram divulgados pelo relatório mensal do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), pertencente à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
Conforme especifica o relatório, o órgão registrou três casos no ano passado de Leshmaniose Tegumentar Americana e 19 neste ano, o que resultou em um crescimento de 533%. Já os de Aids, foram 81 ocorrências em 2014 e 224 em 2015, representando uma variação de 176%. O maior número de casos é originário das regiões da Zona da Mata e Litoral Norte do estado.
De acordo com a gerente técnica-médica do Hospital Hélvio Auto, Rosileide Alves, a causa principal do crescente aumento das duas doenças é a falta de políticas públicas na área da saúde, tanto em nível estadual quanto nacional. Quanto à Aids, a infectologista afirmou que a doença tem crescido assustadoramente, “sufocando unidades de saúde especializadas no tratamento”.
“Apesar das formas de prevenção e tratamentos eficazes, ainda vemos a ausência de políticas públicas, o que gera uma crise não só local, mas mundial. As demais causas são a promiscuidade sexual e o uso de drogas. As unidades não acompanham o crescimento e acredito que só uma vacina eficaz controle o número de casos da doença”, explicou a infectologista, ao comentar que “Alagoas acompanha o crescimento mundial de uma epidemia de Aids”.
Rosileide citou que, desde 2012, o Hélvio Auto não recebe leitos novos, pois atende uma média de 1700 pacientes que estão em tratamento. O PAM Salgadinho também está na mesma situação, atendendo mais de 900 usuários somente com medicação, e o Hospital Universitário (HU), também com uma grande demanda de atendimentos.
A precariedade das políticas públicas também é causa da Leishmaniose, com a falta de vigilâncias epidemiológica e sanitária atuando nas cidades do interior. “A questão é o combate ao vetor. Porém, os pacientes acometidos por essa doença dispõem de várias unidades”, acrescentou Rosileide.

