Centro de Educação Nutricional atende 23 comunidades carentes

largeNo início dos anos 2000, várias mães e crianças que viviam nas comunidades carentes próximas à Universidade Federal de Alagoas (Ufal) apresentavam diversos problemas alimentares e acabavam comprometendo o bem-estar familiar. Diante do panorama, a nutricionista e professora universitária Telma Toledo resolveu agir.

 

Foram meses de estudos e pesquisas e, ao fim, a formulação de um projeto posteriormente enviado à Universidade Federal de São Paulo. À época, Telma Toledo, então doutoranda, havia criado a Organização Não Governamental  Nutrir, justamente com a intenção de amenizar o quadro da região.

 

Em seguida, no mesmo período, o projeto também foi encaminhado ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que decidiu “dar corpo” ao trabalho realizado pela ONG. Tanto que, em 2007, foram liberados recursos para a construção do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (Cren) – projeto paulista considerado modelo no combate à desnutrição, agora na capital alagoana.

 

Instalado no conjunto Denisson Menezes, situado no bairro Cidade Univesitária, o Cren de Maceió atua no auxílio de 23 comunidades carentes da região, além daquela no entorno do antigo lixão da capital. São atendidas no Centro, além de crianças de 0 a 6 anos de idade, gestantes ou mães em fase de amamentação que apresentarem problemas de ordem alimentar.

 

“Aqui atendemos crianças de maneira diferenciada. No semi-internato, por exemplo, ficam as que se encontram num quadro em que estão as desnutridas mais graves. Hoje são cerca de 100 nessa condição. Uma parte delas está na região onde funcionava o lixão. Essas precisam de um cuidado especial”, explicou Telma Toledo.

 

Segundo a presidente do Cren de Maceió, a equipe do Centro é formada por 32 profissionais de diversas áreas. Além de nutricionistas, atuam também médicos, enfermeiros, assistentes sociais, educadores físicos, pedagogos, psicólogos e professores. O Governo do Estado é um dos principais parceiros do Centro, participando ativamente na formulação de convênios em apoio ao local.

 

“Aqui as crianças fazem cinco refeições, contam com atendimento de médico, pediatra, nutricionista e assistente social, para as mães e para as crianças. E temos também um atendimento em ambulatório, para o entorno do Centro. Nesta modalidade, recebemos cerca de 1.200 atendimentos por mês”, revela a professora.

 

As crianças, além de receberem toda a assistência para se recuperar das baixas condições nutricionais, também estudam. Os educadores acompanha-as do maternal até a pré-alfabetização.

 

Busca ativa

Com a meta de diminuir cada vez mais a incidência dos problemas nutricionais nas comunidades carentes, o Cren realiza, periodicamente, trabalhos de busca ativa das crianças. O método consiste em visitas aos locais onde elas vivem e, uma vez constatados casos de desnutrição moderadas ou graves, os pais são convidados a conhecer o Centro.

 

A unidade do Cren em Maceió oferece, além da estrutura física, transporte para levar as crianças de casas até a instituição e, ao fim do dia, garante o retorno delas para suas moradias. Em 2014, o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep), administrado pelo governo estadual, liberou recursos para a ampliação do espaço, que passará a ter um centro de capacitação para os pais das crianças.

 

O valor repassado também será empregado na compra de um automóvel, que servirá para a realização de demandas pontuais do próprio Cren.

Instrumento

O Centro de Recuperação e Educação Nutricional existe em várias partes do Brasil e é tido como “instrumento” para erradicar a desnutrição das crianças brasileiras, nos mesmos moldes ocorridos em outros países. Atualmente, possui dois setores de atuação: o de assistência, que presta atendimento direto à comunidade, e o de projetos, que promove o combate à desnutrição por meio de ações no Brasil e no mundo.

 

O primeiro Cren foi fundado em dezembro de 1993, fruto do trabalho realizado em favelas de São Paulo por profissionais da área de saúde e nutrição da Universidade Federal de São Paulo, por meio da Escola Paulista de Medicina, e com financiamento da Associação de Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI ), ONG sediada na Itália.

 

 

Agência Alagoas

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