
Segundo a delegada Karine Maia Costa, as investigações tiveram início em março deste ano, quando um estudante de direito, de 21 anos, denunciou à polícia as suspeitas. A vítima contou que, no dia 17 de março, compareceu à clínica de Linton, onde foi sedada por via oral para realização de uma cirurgia estética do tipo “genesis”.
Ainda segundo a jovem, ao final da cirurgia uma prima teria ido à clínica buscá-la e a vítima ainda se encontrava “grogue”. Já no dia seguinte, a jovem sentiu incômodo na vagina, além de constatar que o médico havia cauterizado uma pinta que ela tinha na virilha, procedimento que em nenhum momento foi solicitado.
Ela contou o fato à madrinha, que também já havia feito a mesma cirurgia, e descobriu que o procedimento não demandava nenhum tipo de sedação. Além disso, como ainda sentia desconforto na região da vagina, a estudante se dirigiu ao IML (Instituto Médico-Legal), onde foi verificado o rompimento do hímen.
Durante as investigações, uma estudante de medicina, de 23 anos, e prima da vítima revelou que em todos os procedimentos estéticos realizados com Souza havia sido sedada. Após a primeira cirurgia, sentiu incômodo na vagina, mas não chegou a suspeitar de abuso sexual.
Ela também relatou que, em uma das consultas, o médico afirmou ter verificado alterações hormonais na paciente e que precisaria verificar seus órgãos genitais. Durante o exame, realizado sem luvas, o Linton Wallis chegou a questionar se a vítima era virgem. O rompimento do hímen da estudante também foi constatado em exames realizados posteriormente.
O médico foi agredido pelo pai de uma das vítimas logo depois da prisão.
Segundo a delegada, a Polícia Civil também descobriu que, durante as cirurgias, o médico trancava a porta do consultório. Além disso, em todos os procedimentos, ele ficava sozinho na sala com a paciente.
— Vários indícios corroboram para as suspeitas contra o médico, uma vez que colhemos depoimentos que dão conta de que o suspeito não trabalhava acompanhado de assistentes ou enfermeiras e, ainda, tinha como hábito trancar a porta do consultório no momento das aplicações a laser.
Karine também alertou para a possibilidade de que haja outras vítimas com o mesmo perfil: jovens e virgens. Isso porque pacientes mais velhas ouvidas nas investigações não teriam sido dopadas durante procedimentos médicos realizados com o dermatologista.
— Acreditamos que o suspeito escolhia as pacientes mais jovens para cometer os abusos, uma vez que parentes das vítimas identificadas, mais velhas, não foram dopadas.
O Conselho Regional de Medicina informou que o médico será investigado. Até uma eventual condenação ele poderá exercer a profissão normalmente.
Fonte: R7
