A sensação de abandono e a falta de respostas marcaram a luta de Pedro Wilson por justiça pela morte do filho, Ruan Wilson de Lima Silva, de 15 anos. Em vídeo publicado nesta segunda-feira (2), o pai voltou a cobrar transparência das autoridades e afirmou que o caso do adolescente foi tratado com indiferença, apesar das dúvidas que, segundo ele, ainda precisam ser esclarecidas.
Pedro comparou a condução da investigação da morte de Ruan com a apuração do atropelamento que matou um policial militar. Ele questionou por que, neste último caso, há uma mobilização investigativa que, na avaliação dele, não foi demonstrada quando o filho morreu.
Durante o vídeo, o pai relatou as dificuldades enfrentadas para conseguir imagens de câmeras de segurança que poderiam esclarecer a dinâmica do atropelamento. Segundo ele, foram semanas de cobranças por registros do Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT), da Central de Flagrantes e de outros pontos próximos ao local.
Pedro também cobrou explicações sobre a participação do 8º Batalhão da Polícia Militar no atendimento da ocorrência, especialmente sobre o deslocamento do motorista até a Central de Flagrantes. Ele afirma que as imagens desse percurso são fundamentais para esclarecer os fatos.
A falta de posicionamento do comando da Polícia Militar também foi criticada. Para Pedro, além de enfrentar a perda do filho, a família teve de insistir para obter informações e cobrar uma investigação com a transparência esperada.
“Eu não estou aqui pedindo privilégios. Estou pedindo o mesmo rigor, a mesma investigação, o mesmo rigor investigativo, a mesma transparência e o mesmo direito”, afirmou.
Inquérito concluído, mas pai mantém cobranças
Ruan morreu em 25 de agosto, após ser atropelado no bairro Tabuleiro do Martins, em Maceió. A Polícia Civil concluiu o inquérito em 24 de outubro e indiciou o motorista por homicídio culposo.
Segundo a Delegacia de Trânsito da Capital, foram ouvidas 26 pessoas, realizadas 20 intimações e solicitadas imagens de 13 câmeras de segurança, além de documentos e informações de diferentes órgãos.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Alagoas, que deverá analisar as provas e decidir se oferece denúncia à Justiça.
Mesmo após a conclusão da investigação policial, Pedro Wilson não pretende encerrar as cobranças. O pai quer respostas sobre os pontos que considera ainda não esclarecidos e afirma que continuará buscando justiça pelo filho.
“Pelo meu filho, eu vou até o fim”, declarou.

