
Atualmente, ele é o único preso por suspeita de participar da maior chacina da história de São Paulo, que deixou 19 mortos e 5 feridos, em Osasco e em Barueri, há exatamente um mês, em 13 de agosto. Se sobram suspeitas da polícia contra o PM, faltam provas para incriminá-lo. Em pelo menos dez inquéritos em que apareceu como suspeito, o Ministério Público o denunciou em cinco. Mas em dois processos, ele foi impronunciado pela Justiça, ou seja, foi decidido que ele não vai a julgamento por falta de provas.
São 34 assassinatos nos últimos três anos na cidade que registrou em 13 de agosto a maior chacina da história de São Paulo.
Esses dois últimos casos de impronúncia são referentes a uma chacina ocorrida na noite de 5 de fevereiro de 2013, no Jardim Padroeira, em Osasco, e um ataque que deixou 4 feridos em Carapicuíba, na madrugada seguinte. A investigação policial concluiu que Eleutério se uniu a dois policiais militares e a dois vigias para vingar o PM Luiz Carlos Nascimento Costa, morto a tiros quando saía de uma farmácia.
O outro caso aconteceu em um bar e teve, segundo as investigações, o mesmo motivo: vingar a morte do PM. Apenas um policial está preso. Os outros três acusados estão em liberdade e Eleutério foi inocentado. Por ordem da Justiça, a principal testemunha dos dois processos será investigada sob a suspeita de mentir em seus depoimentos.
Medo. Enquanto aguardam uma resposta da Justiça, os sobreviventes e as testemunhas desses crimes brutais vivem uma rotina de medo e desconfiança. Em novembro de 2012, o jovem José (nome fictício) estava em um bar na Rua Fortaleza, no Jardim Rochdale, quando homens armados desceram de um carro e começaram a atirar. Seis pessoas morreram, cinco ficaram feridas.
“Eu escapei porque pulei atrás do balcão. Eu só ouvia tiros e mais tiros”, disse. Ele viu um dos atiradores saindo do bar. “Ele andava para trás, mas o olhar era sempre para frente e segurando a arma em posição de tiro.” José ajudou a socorrer os amigos, mesmo com a perna ferida por um tiro.
Ele diz que, um pouco antes dos assassinos chegarem, uma viatura da PM encostou no bar e os policiais mandaram abaixar o som. “Depois, ouvi dizer que PMs apareceram para recolher as cápsulas. Mas eu não vi.” Até hoje ele diz que foi chamado apenas uma vez para prestar depoimento na delegacia.
O rapaz tem antecedente criminal por tráfico de drogas e acredita que era o alvo dos assassinos. O episódio serviu para ele mudar sua vida. José largou as “companhias erradas” e se tornou evangélico. “Antes, quando uma criança se sentava do meu lado, a mãe dela a tirava de perto de mim. Hoje, tem pai que pede para eu aconselhar o filho dele. Eu tive uma chance de sair daquela vida e agarrei”.
Dona Maria (nome fictício) era proprietária de um bar no Jardim São Roberto quando homens armados apareceram e atiraram contra os frequentadores. Quatro ficaram feridos. Um deles ficou paraplégico. Era fevereiro de 2013.“Eram muitos tiros. Tinha um pessoal aqui dentro e alguns jovens do lado de fora. De repente, o carro chegou e os homens desceram atirando”, disse. Na hora, jovens comemoravam a vitória do time de futebol da rua contra um adversário.
A mulher nunca mais conseguiu voltar à rotina. “A gente vive com medo. Mas não tenho escolha, preciso ficar e viver aqui”, comentou. Depois da tentativa de assassinato, dona Maria fechou o bar. Chegou a alugar o espaço para uma pastelaria, mas não deu certo. A filha dela pretende montar um comércio em breve. Na rua do bar, algumas vítimas acompanharam a reportagem. Ninguém mais quis falar.
Fonte: Estadão
