Alagoas

Bets promovidas por JHC destruíram famílias e agravaram o endividamento em Maceió

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Gestão JHC promoveu marca de bets em eventos de Maceió; dados apontam aumento do endividamento

Durante a gestão do ex-prefeito de Maceió e atual candidato ao governo de Alagoas, João Henrique Caldas (PSDB), a Prefeitura de Maceió promoveu a presença da marca Vai de Bet em eventos realizados na capital. A empresa foi apresentada como patrocinadora do Massayó Verão, em janeiro de 2024, e do São João Massayó, em junho do mesmo ano, com ações promocionais durante as festividades.

Naquele período, uma pesquisa do DataSenado mostrou que cerca de 14% dos alagoanos haviam gastado dinheiro com apostas esportivas nos 30 dias anteriores à coleta. O levantamento foi realizado em junho de 2024 e divulgado posteriormente. Os dados, portanto, não permitem estabelecer uma relação direta entre a parceria da Prefeitura com a empresa e o comportamento dos apostadores.

Em agosto de 2026, o percentual de famílias endividadas em Maceió chegou a 84,6%, segundo levantamento do Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice representa o maior patamar da série recente da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

Os dois principais eventos realizados pela Prefeitura em 2024 tiveram custos superiores a R$ 50 milhões, segundo levantamento publicado à época. Mais de R$ 30 milhões foram destinados às atrações artísticas. O cantor Gusttavo Lima, que mantinha relação comercial com a Vai de Bet, recebeu R$ 1,2 milhão para se apresentar no São João Massayó. Durante o show, houve uma ação promocional da marca com distribuição de prêmios ao público.

Além dos eventos, a marca esteve associada a outras ações realizadas em Maceió, como o “Vai de Graça, Vai de Bet”, relacionado ao transporte público, e uma apresentação de Bell Marques, além da exposição da empresa durante a programação junina.

À época, reportagens também questionaram a transparência dos patrocínios. Segundo publicações locais, não havia, até então, informações detalhadas sobre os valores repassados pela empresa à Prefeitura ou sobre os instrumentos utilizados para formalizar as parcerias.

A Vai de Bet também foi alvo da Operação Integration, deflagrada em setembro de 2024 pelas polícias de Pernambuco e Paraíba, que investigou suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro e jogos ilegais. A Justiça determinou medidas como bloqueio de ativos e apreensão de bens no âmbito da investigação. As suspeitas são objeto de apuração pelas autoridades e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.

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