Na dose certa, pesquisa eleitoral pode ser uma importante fonte de informação. Em excesso e, principalmente, quando os resultados apresentam grandes discrepâncias, pode acabar se transformando em uma ferramenta de disputa no cenário eleitoral. E, ao que parece, a campanha para o Governo de Alagoas entrou agora em uma verdadeira “guerra” de pesquisas.
Os números começaram a se multiplicar e, em alguns casos, apresentam cenários completamente diferentes. No mesmo dia, um levantamento apontou Renan Filho em condições de vencer a eleição no primeiro turno. Outro colocou JHC 12 pontos à frente.
A Falpe mostrou Renan Filho com 41,25% e JHC com 37,5% das intenções de voto no cenário estimulado. Considerando apenas os votos válidos, o resultado seria de 51,9% para Renan Filho e 47,2% para JHC. A pesquisa foi contratada pelo MDB de Alagoas.
Já o Índice Inteligência apresentou um cenário diferente. JHC apareceu com 47,6%, enquanto Renan Filho registrou 35,6% — uma diferença de 12 pontos. Não é uma distância pequena.
E não são apenas esses dois levantamentos. Nos últimos dias, TDL e Ranking também divulgaram pesquisas que apontaram vantagem maior para JHC. Ao mesmo tempo, a Quaest mostrou Renan Filho com 42% e JHC com 40%, enquanto o Paraná Pesquisas registrou JHC com 47,2% e Renan Filho com 41,3%.
Ou seja: dependendo da pesquisa escolhida, o eleitor encontra Renan Filho na liderança, JHC à frente por poucos pontos ou o candidato com uma vantagem superior a dez pontos.
É muita diferença para uma mesma eleição. Muita divergência para um mesmo retrato.
O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é obrigatório e importante, mas não significa que a Justiça Eleitoral esteja certificando a qualidade ou a precisão de um instituto. O registro permite consultar informações como contratante, responsável pelo pagamento, metodologia, período de realização do levantamento, tamanho da amostra, margem de erro e responsável técnico.
Esses dados precisam ser observados. Também é importante saber quem está realizando a pesquisa — e quem está pagando a conta.
Institutos nacionais como Quaest e Paraná Pesquisas atuam em diferentes estados, possuem séries históricas e resultados que podem ser confrontados com eleições anteriores. Isso não significa que sejam infalíveis, mas oferece um histórico mais amplo para avaliação.
Em Alagoas, também existem institutos que atuam há vários anos e cujos resultados podem ser comparados com levantamentos e eleições anteriores.
O problema é que, neste ano, começaram a aparecer nomes com pouca tradição na realização de pesquisas no Estado. Isso, por si só, não permite afirmar que os levantamentos estejam errados, mas recomenda cautela por parte do eleitor.
A primeira pergunta, portanto, não deve ser apenas quem está na frente. É preciso saber quem fez a pesquisa, quem a contratou, quantas pessoas foram entrevistadas, em quais municípios, como a amostra foi distribuída, qual metodologia foi utilizada e qual é o histórico daquele instituto.
O contratante também precisa ser informado com clareza. Uma pesquisa paga por partido, candidato, empresa ou veículo de comunicação não deve ser automaticamente descartada. Mas o eleitor tem o direito de saber quem financiou o levantamento e em quais condições ele foi realizado.
Há ainda outro erro bastante comum: comparar pesquisas de institutos diferentes para afirmar que houve crescimento, queda ou uma “virada” na disputa.
Não funciona assim.
Pesquisas eleitorais são retratos de momentos diferentes e podem utilizar metodologias, amostras e períodos de coleta distintos. Por isso, mais importante do que escolher a pesquisa que melhor confirma uma preferência é analisar o conjunto dos levantamentos, entender suas metodologias e observar a evolução dos números ao longo do tempo.
No fim das contas, em uma eleição marcada por tantas pesquisas e resultados tão diferentes, informação também exige senso crítico.

