
A Recomendação n° 9/2019, destinada ao Comando do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz), foi enviada para ser entregue em mãos na tarde desta quinta-feira (28). O comandante tem o prazo de 48 horas, a partir do recebimento, para responder se acata a recomendação e que medidas nesse sentido serão adotadas.
No pedido, o MPF entende que o período de quase 21 anos iniciado nessa data é considerado oficialmente, pelo Estado Brasileiro e pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, como um regime de exceção. Durante esses anos, foi reconhecida pelo Estado a ocorrência de supressão da democracia e dos direitos decorrentes do regime democrático, como os de reunião, liberdade de expressão e liberdade de imprensa, assim como a prática de crimes e violações.
O documento, assinado pelas procuradoras da República Cinara Pricladnitzky Bueno, Niedja Kaspary e Roberta Bomfim, menciona declarações do porta-voz da presidência da República, feitas em 25 de março, que confirmaram ordem presidencial para que o Ministério da Defesa faça “as comemorações devidas com relação a 31 de março de 1964”. Para o MPF, homenagens por servidores civis e militares, no exercício de suas funções, ao período histórico no qual houve supressão de direitos democráticos viola a Constituição Federal, que consagra a democracia e a soberania popular.
Nesta quinta-feira, o Centro de Comunicação Social do Exército Brasileiro, em Brasília, informou à Gazetaweb que as organizações militares, incluindo o 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (BIMtz) vai seguir a recomendação da Presidência da República e fará solenidades em alusão ao 31 de março de 1964, dia em que foi instituído o regime militar no Brasil. O Exército trata o tema como um fato histórico e digno de solenidades a este respeito.
