
O prefeito Rui Palmeira disse que a ideia surgiu em 2015, nos 200 anos de Maceió, quando foram encomendadas as três esculturas. “Decidimos homenagear grandes alagoanos de diferentes segmentos. Homenageamos o jurista Pontes de Miranda, com o nome da avenida; Aurélio [Buarque de Holanda]; e Graciliano Ramos com as esculturas. Existe uma fila imensa de homenageados e espero conseguir fazer isso com mais alagoanos. Isso é importante para nossa autoestima, lembrar que essas pessoas saíram daqui para buscar o sucesso, mas não perderam o vínculo com nossa terra. No documentário sobre Paulo Gracindo, quando perguntam o prato favorito, ele responde na bucha que é o sururu”, observa Palmeira.
“Quem não sabia que ele era de Alagoas, sempre que passar por aqui, vai ficar sabendo que Paulo, de tantos e grandes personagens, era alagoano legítimo”, afirmou Rui Palmeira, durante a apresentação da homenagem a Paulo Gracindo, nesta manhã.
Além de Gracindo, as filhas Lucinda e Teresa Cristina prestigiaram a inauguração da estátua e se emocionaram ao “rever” o pai, lado a lado, em solenidade com a presença do prefeito Rui Palmeira, a primeira-dama Tatiana Palmeira, o vice-prefeito Marcelo Palmeira, e secretários municipais.
A escultura de bronze foi feita pelo escultor mineiro Léo Santana, que também fez as estátuas em tamanho real dos ilustres alagoanos Graciliano Ramos e Aurélio Buarque de Holanda, inauguradas em 2015 em comemoração aos 200 anos de Maceió, e do poeta Carlos Drummond de Andrade, posicionada no calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Trajetória
Paulo Gracindo nasceu no Rio de Janeiro em 1911 e mudou de endereço ainda criança, com a família para morar em Maceió. Foi na capital alagoana que ele teve o primeiro contato com o teatro amador. O ator morou no bairro da Pajuçara, onde a escultura será instalada. Aos 20 anos, após a morte do pai, o influente político Demócrito Gracindo, Paulo Gracindo voltou a morar no Rio de Janeiro para iniciar definitivamente uma longa história no meio artístico.
Ao longo das décadas de 1930 e 1940, o ator participou das companhias de teatro Alda Garrido, Procópio Ferreira, Elza Gomes e Dulcina de Moraes. Foi locutor, apresentador, radioator, compositor e comediante em programas de rádio de grande sucesso na década de 1950 como “Noite de Estrela” e “Edifício Balança Mas Não Cai”.
Na televisão, Paulo Gracindo foi ator, apresentador, animador e humorista. Sua estreia em telenovelas foi ao lado de Fernanda Montenegro na TV Rio em “A Morta Sem Espelho”, de Nelson Rodrigues, em 1963. Na TV Globo, na década de 1970, o ator conquistou o público ao interpretar dois grandes personagens da teledramaturgia brasileira: o bicheiro Tucão, em “Bandeira 2”, e o prefeito Odorico Paraguaçu, em “O Bem Amado”, de Dias Gomes.
O antológico prefeito Odorico Paraguaçu rendeu ao ator os prêmios de melhor ator da Associação Paulista de Críticos de Arte e da rede de TV Mexicana Televisa. Paulo Gracindo também participou de outros trabalhos de grande audiência na televisão aberta como “Gabriela”, “Roque Santeiro”, “Mulheres de Areia”, “Rainha da Sucata” e “Vamp”. Sua despedida da teledramaturgia foi uma participação especial na minissérie “Agosto”, em 1993.
No cinema, o ator consagrado trabalhou em mais de 20 filmes. Entre eles, “A Falecida”, de Leon Hirszman, “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, e “Cara a Cara”, de Júlio Bressane. Paulo Gracindo morreu no dia quatro de setembro de 1995, no Rio de Janeiro, após ser diagnosticado com câncer.
