O ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, decidiu expor os bastidores do seu rompimento com João Caldas, presidente nacional do Democracia Cristã (DC). Em entrevista concedida na segunda-feira (14) à Rádio Jovem Pan Maceió, Rebelo afirmou que o dirigente partidário teria articulado para prejudicar o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP).
Segundo Aldo, informações repassadas por aliados em Brasília apontavam que João Caldas teria buscado interlocutores ligados ao Supremo Tribunal Federal (STF) para acelerar o julgamento de ações envolvendo Lira e o caso das emendas parlamentares.
“Arthur Lira foi outro que João Caldas também procurou prejudicar”, declarou Rebelo.
O ex-deputado também relacionou a suposta movimentação à ação apresentada pelo Democracia Cristã no STF contra uma mudança na legislação que poderia beneficiar a candidatura de Álvaro Lira, filho de Arthur Lira.
Ação no STF virou ponto de tensão
Em julho deste ano, João Caldas protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF questionando uma alteração legislativa feita em 2025, conhecida como “Lei Alvinho”.
A mudança abriu uma discussão sobre os requisitos de idade para a candidatura de Álvaro Lira. O filho de Arthur Lira só completaria a idade mínima exigida em março de 2027, após a posse dos eleitos.
Para Aldo Rebelo, porém, a iniciativa judicial teria ocorrido em meio às negociações políticas e eleitorais envolvendo João Caldas e Arthur Lira.
As tratativas para a formação da aliança permaneceram indefinidas até o limite do prazo legal e, mesmo após a formalização, os dois passaram alguns dias sem aparecer juntos em agendas públicas de campanha.
Banco Master teria motivado mudança de candidato
Outro ponto revelado por Aldo Rebelo envolve sua própria saída da disputa presidencial pelo Democracia Cristã.
Rebelo havia sido anunciado como pré-candidato à Presidência da República pelo partido e afirma que a decisão de retirá-lo da disputa ocorreu sem que houvesse uma conversa prévia com ele.
Na entrevista, o ex-deputado associou a mudança ao caso Banco Master e a possíveis investigações envolvendo investimentos realizados por institutos de previdência.
Segundo Rebelo, João Caldas teria ficado preocupado com suas críticas ao STF e com a possibilidade de sua candidatura provocar dificuldades políticas diante das investigações relacionadas ao banco.
“Eu tinha feito críticas recorrentes ao Supremo, aos superpoderes, ao abuso do Supremo em usurpar atributos dos demais poderes”, afirmou.
De acordo com o relato, surgiu posteriormente a possibilidade de Joaquim Barbosa ser lançado pelo DC em seu lugar. Rebelo disse acreditar que o nome do ex-ministro do STF teria sido utilizado como alternativa para retirar sua candidatura da disputa.
“De repente, sem conversar comigo, e nem com ninguém mais do partido, ele vem com a ideia de lançar Joaquim Barbosa candidato no meu lugar”, afirmou.
Rompimento
Após o episódio, Aldo Rebelo deixou o Democracia Cristã. O ex-deputado afirmou que decidiu se desfiliar para evitar permanecer em uma disputa interna com o presidente nacional da legenda.
Durante a entrevista, ele também resgatou episódios antigos envolvendo João Caldas, incluindo acusações relacionadas ao escândalo das sanguessugas, ocorrido durante o período em que Rebelo presidia a Câmara dos Deputados.
João Caldas e Arthur Lira não responderam
A reportagem procurou João Caldas e Arthur Lira para que apresentassem suas versões sobre as declarações feitas por Aldo Rebelo.
Até o fechamento, não houve manifestação dos dois. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

