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Policial acusado de matar dois colegas dentro de viatura será submetido a exame de sanidade mental em AL

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O policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho, acusado de matar a tiros dois colegas de profissão dentro de uma viatura da Polícia Civil, em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas, será submetido a um exame de sanidade mental por determinação da Justiça.

A decisão foi tomada pela Justiça de Alagoas e pode ser um dos pontos decisivos no processo que apura as mortes dos policiais Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira, assassinados na madrugada de 20 de maio deste ano.

A perícia terá como objetivo verificar as condições mentais do acusado e apurar se, no momento dos crimes, ele possuía capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos e de controlar suas ações.

O exame será realizado por um médico do Centro Psiquiátrico Judiciário, que terá inicialmente 45 dias para apresentar o laudo. O prazo poderá ser prorrogado, caso haja justificativa.

O Ministério Público e a defesa poderão apresentar quesitos ao perito antes da realização da avaliação. Depois da entrega do laudo, as partes também terão prazo para se manifestar sobre as conclusões da perícia.

Dois colegas mortos durante deslocamento

De acordo com as investigações, os três policiais estavam em uma viatura após uma diligência na região de Delmiro Gouveia.

Gildate estava no banco traseiro do veículo, enquanto Denivaldo e Yago ocupavam os bancos dianteiros.

Durante o trajeto, o policial teria efetuado disparos contra os dois colegas. Denivaldo foi atingido na região da nuca, enquanto Yago foi baleado na região da têmpora. Os dois morreram ainda dentro da viatura.

O veículo estava na Praça Vicente de Menezes, no Centro de Delmiro Gouveia, quando o crime aconteceu.

Após os disparos, Gildate deixou o local e seguiu para a residência da companheira. Ele foi localizado e preso horas depois.

Desde então, permanece preso preventivamente.

Investigação não apontou premeditação

A investigação conduzida pela Polícia Civil concluiu pelo indiciamento de Gildate por duplo homicídio qualificado.

Segundo o inquérito, não foram encontrados elementos que comprovassem um planejamento prévio dos assassinatos ou uma desavença anterior capaz de explicar o ataque.

A quebra dos sigilos telefônico e telemático do policial também não teria identificado indícios de premeditação.

Um dos elementos que chamou a atenção dos investigadores foi o comportamento apresentado pelo acusado após o crime. Conforme registrado na investigação, Gildate apresentava falas desconexas quando foi preso e teria afirmado que não se lembrava do momento em que efetuou os disparos.

É justamente nesse contexto que o exame de sanidade mental ganha relevância dentro do processo.

MP quer policial levado a júri popular

Em junho, o Ministério Público de Alagoas denunciou Gildate e pediu que ele seja submetido a júri popular pelas mortes dos dois policiais.

A acusação sustenta que os colegas foram mortos de forma traiçoeira e de surpresa.

Agora, a perícia psiquiátrica deverá ajudar a Justiça a esclarecer uma questão central do processo: qual era o estado mental do policial no momento em que os dois colegas foram mortos?

O resultado do exame poderá ter impacto direto nos próximos passos da ação penal.

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