
O que era tratado com ironia nas rodas de conversas políticas e também no mundo diplomático – a impossibilidade de Araújo ser indicado para postos diplomáticos na China, EUA ou Índia, países com os quais o chanceler coleciona incidentes ou onde se tornou persona non-grata – acaba de se estender para outras embaixadas brasileiras no exterior. O senado tem peso importante na questão.
Após a postagem, o ainda chanceler colheu declarações iradas de senadores, principalmente da presidente da Comissão de Relações Exteriores, senadora Kátia Abreu (PP/TO), a quem Araújo acusa de fazer lobby em favor dos chineses no negócio do 5G. “Se o senhor fizer um gesto em relação ao 5G, será um rei no senado”, teria dito Kátia Abreu às vésperas da audiência pública, segundo relato de Araújo. Após a postagem, a senadora distribuiu nota em que pede a troca imediata do chanceler: “o Brasil não pode mais continuar tendo, perante o mundo, a face de um marginal” – escreveu.
O próprio presidente do senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), reagiu à postagem do chanceler. “A tentativa do ministro Ernesto Araújo de desqualificar a competente senadora Kátia Abreu atinge todo o Senado Federal”, escreveu o senador, que é importante aliado do presidente Bolsonaro na casa. “E justamente em um momento que estamos buscando unir, somar, pacificar as relações entre os Poderes. Essa constante desagregação é um grande desserviço ao País”, completou Pacheco.
