
Como ela, muitos outros pacientes têm sido internados na unidade hospitalar com agravantes decorrentes da diabetes. De acordo com o cirurgião vascular do HGE, Cézar Ronaldo Alves, 80% dos pacientes que chegam ao hospital com problemas na área vascular têm a doença, 50% destes nem sabiam que eram diabéticos descompensados e, os que sabiam, não fazem o controle adequado da doença. A grande maioria deles é do interior do Estado.
“É difícil de imaginar que em pleno século XXI, muitas pessoas descobrem a diabetes em uma fase avançada de suas vidas, e com um quadro grave, no leito de um hospital. Quem possui histórico familiar de doenças vasculares como obstrução arterial, trombose, pé diabético, erisipela (infecção na pele), AVC [Acidente Vascular Cerebral] ou hipertensão arterial, precisa ficar atento para identificar e tratar precocemente os fatores de risco. Os cuidados preventivos podem evitar internações hospitalares e, principalmente, amputações de membros”, comentou o especialista.
Segundo ele, as doenças vasculares são crônicas, por isso necessitam de atenção especial. “Quando esses pacientes chegam ao HGE já estão com sérias complicações que poderiam ser evitadas com o acompanhamento clínico nos postos de saúde. Infelizmente a maioria dos nossos pacientes não recebe um acompanhamento da rede de Atenção Básica dos seus municípios, chegando ao HGE com o estado de saúde bem agravado. Além disso, falta atendimento especializado para esses pacientes após a alta, o que os fazem retornar com os mesmos problemas e ainda pior”, referiu Cézar Ronaldo.
Referência estadual
Referência em Alagoas nesse tipo de serviço público de saúde, o HGE admite uma média de 15 novos doentes por dia na área vascular, provenientes de todos os municípios alagoanos. Dados estatísticos do HGE mostram que em 2018 a unidade hospitalar realizou 3.238 cirurgias vasculares. Este ano, as cirurgias já passaram de 1.300, podendo chegar a quatro mil no final do ano, segundo confirmou o especialista.
“Os principais fatores de risco para as doenças vasculares são a hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade, estresse e o sedentarismo. O número de pacientes graves com doenças vasculares que procuram o hospital poderia ser reduzido pela metade, caso houvesse prevenção como, por exemplo, o controle da glicemia, hipertensão, colesterol. higiene diária e cuidados com os pés dos diabéticos”.
Cézar Ronaldo explicou, ainda, que os procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos vêm diminuindo a necessidade de amputações de alguns pacientes. A técnica da área vascular que realiza os procedimentos cirúrgicos através de pequenas incisões e com sedação mais leve vem salvando a vida de muitos pacientes do Hospital Geral do Estado. Em média, são realizados, por mês, procedimentos endovasculares e de Alta Complexidade em 25 pacientes na unidade hospitalar.
“Atualmente, o HGE tem respondido pela grande maioria das cirurgias vasculares e endovasculares de Alagoas realizadas através do SUS [Sistema Único de Saúde]. A taxa de permanência desses pacientes que, antes girava em torno de 12 dias, agora é de cinco dias. Das cirurgias vasculares realizadas, 90% são programadas e 10% oriundas de traumas”, de acordo com o cirurgião.
Assessoria
