
A perícia também afirmou que os elementos contradizem o depoimento de Luis Felipe Manvailer, marido de Tatiane, que alega que viu a mulher correr para a sacada, tentou alcancá-la, mas não teve tempo de segurá-la.
Tatiane foi encontrada morta depois de cair do 4º andar, na madrugada de 22 de julho. Luis Felipe Manvailer é réu pela morte. Ele nega as acusações.
Os peritos sugerem duas possibilidades, com base em cálculos e três testes feitos com bonecos no apartamento do casal: 1) desequilíbrio involuntário (queda acidental); 2) abandono de corpo inerte.
“A posição final da queda – 3,78 m (três metros e setenta e oito centímetros) de distância do alinhamento predial e local da precipitação, conforme já calculado, descrito e embasado no Tópico 5. PRECIPITAÇÃO DE ALTURA, refere-se a i) desequilíbrio involuntário (queda acidental) ou ii)) ou abandono de corpo inerte, sem qualquer tipo de impulso (…)”, diz o laudo.
A Polícia Científica ressalta que não há elementos técnicos científicos capazes de determinar apenas um tipo de queda e que os bonecos utilizados no exame não são feitos para este fim.
O laudo afirma que há uma contradição na declaração de Manvailer por causa da altura da sacada.
“A mureta da sacada possui altura total de aproximadamente 93 cm (noventa e três centímetros), confeccionada em concreto na região inferior com mais 30 cm (trinta centímetros) de vidro e borda em metal, totalizando 1,23 m (um metro e vinte e três centímetros) de altura total aproximada. Esta altura impossibilita a passagem para o lado externo de maneira ágil, contradizendo o depoente que declarou”, aponta o laudo.
Para o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o laudo é mais uma prova da prática do feminicídio.
“A prova técnica descarta a versão de que a vítima teria se jogado, versão apresentada pelo acusado Luis Felipe Manvailer, em seu interrogatório policial”, afirmou o MP-PR.
A defesa de Manvailer disse que não irá se manifestar sobre o laudo e que não teve acesso aos trabalhos realizados na data da perícia em questão. A defesa afirmou que aguarda a realização da reprodução simulada dos fatos (reconstituição), com a presença de Luís Felipe Manvailer e seus advogados.
A defesa reforça ainda que aguarda a entrega dos laudos de necropsia e exame anatomopatológico para que se possa materialmente entender o que de fato ocorreu naquela madrugada.
O assistente de acusação e advogado da família de Tatiane, Gustavo Scandelari, disse que a versão do réu seria impossível de acordo com a dinâmica dos fatos comprovada pelo laudo.
Réu
Luis Felipe Manvailer foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) pelos crimes de homicídio com quatro qualificadoras (meio cruel, dificultar defesa da vítima, motivo torpe e feminicídio), cárcere privado e fraude processual. A Justiça aceitou a denúncia em 8 de agosto.
Uma perícia constatou que Tatiane teve uma fratura no pescoço, característica de quem sofreu esganadura. Para os promotores, o professor é responsável pela morte da mulher.
Imagens de câmeras de segurança mostram Manvailer agredindo a mulher minutos antes da queda.
Entenda o caso
A queda de Tatiane Spitzner foi na madrugada do dia 22 de julho, no Centro de Guarapuava. Conforme a Polícia Civil, depois da queda, Luis Felipe recolheu o corpo de Tatiane e o levou de volta para o apartamento.
Uma testemunha relatou que, logo depois da queda, viu o marido recolhendo o corpo e ouviu ele gritando: “Meu amor, acorda”.
O marido foi preso após sofrer um acidente de carro na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, a 340 quilômetros de Guarapuava. Ele disse que se acidentou porque a imagem da esposa pulando a sacada não saía da cabeça dele.
G1
