
O filme sobre a operação Lava Jato, inspirado no livro homônimo, teve sua pré-estreia nesta segunda-feira (28) em Curitiba, e já existe expectativa para pelo menos mais uma sequência devido à criatividade dos “roteiristas de Brasília” e suas armações.
“Essa história, por natureza, já é uma história cinematográfica”, disse Antunez em entrevista à Reuters.
“Ela começa pequena, com uma investigação de doleiros que, fortuitamente, esbarra num esquema de corrupção dentro da Petrobras, e os desdobramentos todos nós sabemos”.
Conseguir condensar mais de três anos de operação em um filme de 1h50 foi uma dos maiores desafios da produção, segundo o diretor, e o longa termina com a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em março de 2016.
Antunez já antecipa que o filme terá uma continuação, adiantando que a entrada do empresário Joesley Batista nas investigações da Lava Jato estará na história, e indica inclusive a possibilidade de uma terceira produção.
“A gente acha que já tem história suficiente para isso”, afirmou.
“Os roteiristas de Brasília e do resto do Brasil são mais criativos do que a gente, e vêm com histórias novas todo dia”, afirmou.
Descrito pelo diretor como um “thriller investigativo”, o filme tornou-se alvo de polêmica devido ao seu alto orçamento de 15 milhões de reais, financiado por investidores privados que pediram para ter a identidade mantida em sigilo, segundo Antunez.
A produção não contou com o apoio da Lei do Audiovisual, que é utilizada com frequência em filmes brasileiros, por uma escolha dos próprios produtores.
“A gente achou que teria mais liberdade de contar essa história se a gente não tivesse buscando dinheiro público, dinheiro do povo para contar essa história, porque ela não está falando só de cultura. Ela vai além disso, então a gente ficou um pouco desconfortável de usar dinheiro público para poder contar uma história que, bem ou mal, esbarra na política”, afirmou.
Diante de uma história que a população acompanha cotidianamente pela imprensa, a forma encontrada pelo filme de levar uma novidade para as telas foi contar o início das investigações da Lava Jato.
“A gente entendeu que essa era a maneira de trazer algum frescor para a história. Todo mundo tem contato com essa história pelos jornais diariamente, então o que a gente poderia fazer para trazer alguma novidade para as pessoas? É mostrar o pré-fato”, disse Antunez.
Veja trailer:
Para o diretor, a lei é para todos porque a Lava Jato chegou a grandes empresários e políticos importantes.
“Eu acho que esse é o objetivo de qualquer lei: promover justiça. A Justiça eu acho que só é possível se vale para todo mundo, e eu acho que a Lava Jato tem mostrado que pessoas que antes não haviam aparecido, entrando dentro da roda de acusações”.
Questionado se o filme contempla todos os partidos investigados pela operação, Antunez defende-se dizendo que no momento da elaboração do roteiro muitas das revelações ainda não tinham sido feitas. Segundo ele, a ideia do filme é manter o debate ativo.
“O mais importante é que essa história não morra, que a gente volte àquele estado de apatia que a gente vivia antes em relação à política”.
“Polícia Federal: A Lei É para Todos” chegará aos cinemas em 7 de setembro.
Fonte: G1
