
Consta do relatório do MPF que fundamenta a decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, que determinou as prisões, a compra, para o escritório de Cabral, de uma máquina chamada fragmentadora, usada para picar folhas de papel.
A aquisição da máquina junto com outros itens de escritório, a R$ 1.700, está listada em um e-mail reproduzido pelos procuradores junto com outros gastos particulares de Cabral, a cargo de um “faz-tudo” do ex-governador chamado Pedro Ramos Miranda.
Ele é um subtenente do Corpo de Bombeiros que se transformou em assessor especial do ex-governador, e que também fazia “saques vultosos” de sua conta. Miranda foi conduzido à Polícia Federal para depor coercitivamente no dia em que Cabral foi preso, na última quinta-feira (17).
Cabral foi preso sob a acusação de chefiar uma organização criminosa que recebeu pelo menos R$ 224 milhões de duas empreiteiras, a Carioca Engenharia e a Andrade Gutierrez, que participaram de obras como a reforma do Maracanã para a Copa de 2014, o Arco Metropolitano e o PAC das favelas.
Há fortes indícios de que o esquema se estendeu a outras grandes empreiteiras, como Odebrecht, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e OAS.
Na tarde desta segunda-feira, 21, foi negado o primeiro pedido de habeas corpus em seu favor. O autor foi o advogado Jorge Beja, que não faz parte de sua defesa – o pedido pode ser impetrado por qualquer cidadão. Beja não foi encontrado pela reportagem para falar do assunto.
Segundo o Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, o pedido alega que “a prisão constituiria condenação antecipada do acusado” e que a prisão não teve “justa causa”. O desembargador federal Abel Gomes, da 1.ª Turma Especializada do TRF2, considerou que o pedido foi mal fundamentado, e apresenta “teses abstratas” sobre o caso.
Os advogados de Cabral não responderam às solicitações de entrevista da reportagem.
