
Acolhido em Maceió pela Carapuça Cia. Teatral, grupo que completa treze anos de existência em 2016, o artista protagonizou e dirigiu diversas apresentações teatrais e fundou em 2009 a Cia. Do Avesso.
Sua trajetória nos palcos foi suspensa em 2012, época que assumiu um cargo na Secretaria de Cultura de Viçosa, onde atuou até o final do ano passado, mas, segundo ele, sua alma clamava por voltar a trabalhar com sua verdadeira paixão. “O mundo artístico do teatro”.
Passado o período de dedicação a cultura popular de sua própria terra, Maylson Honorato, estreia em 2016 seu primeiro monólogo, um trabalho independente ao qual também é responsável por toda narrativa.
O espetáculo denominado “O Homem Só”, previsto para estrear no segundo semestre, traz um produção audiovisual deslumbrante e animações que acompanham o ator durante toda a peça teatral. Maylson diz que seria impossível fugir do audiovisual com o texto que tem em mãos. “Os assuntos abordados pedem audiovisual, além disso, sou apaixonado por esse formato de produção”, explicou.
Em 2010, o artista adaptou para o teatro as histórias do livro “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso”, do escritor Caio Fernando Abreu e dirigiu o espetáculo homônimo.
Ele explica como foi a experiência em seu primeiro desafio nas artes cênicas. “Em 2010, eu enfrentei o medo da crítica e meu próprio medo de subir mais um degrau na carreira. Escrever o texto dos Dragões, não foi fácil, estive sempre pensando no que os outros diriam de alguém tão jovem que ousava entrar num universo tão complexo. Mas adaptar, e dirigir, o espetáculo foi algo inesquecível. Hoje estou mais desprendido do pensamento dos outros e o tempo me deu mais coragem e discernimento. ”, falou emocionado.
Perguntado como conseguiu a autorização para adaptar o texto de Caio Fernando Abreu, Maylson Honorato explica: “Conheci Tônia, uma amiga do Caio que me pôs em contato com a família do escritor, isso me deu força e ânimo para seguir. Quando me autorizaram estrear foi emocionante, com esse espetáculo foi possível escrever, dirigir e atuar”, informou.
O monólogo “O Homem Só”, apesar de não ser diretamente, também possui referências aos escritos de Caio Fernando Abreu, e o artista alagoano diz o motivo. “Caio Fernando Abreu é uma das minhas maiores paixões desde 2009, sou fã e não nego. Naquele momento ele não era tão conhecido virtualmente como é hoje, mas a paixão era muito grande. Caio também me inspirou muito na escrita e montagem de “O Homem Só”, que é igualmente desafiador”, relembrou.
O texto fala de humanidade e de como nos relacionamos com nossos medos, com a solidão, com a morte e com a tecnologia. É emocionante, é irônico, dramático e bem- humorado. O monólogo foi dedicado à memória do amigo do artista, Rodrigo Gomes que faleceu em 2015, ele foi o primeiro que soube da ideia da montagem.
Para enfrentar esse mais novo desafio, Maylson Honorato convidou a amiga de longa data e, conhecida artista alagoana, Roberta Aureliano. “Quando o texto ficou pronto, eram quase 4 da manhã, não consegui esperar e liguei para Roberta. Contei o que pude sobre o texto e ela topou o desafio”.
Maylson diz que além de uma grande amiga, Roberta é uma das maiores referências de artista que possui. Por isso confiar no trabalho dela é fácil, “também é fácil ser surpreendido por ela. Sei que foi a escolha mais acertada”, ressaltou.
Perguntado se estaria pronto para o desafio, após quatro anos fora dos palcos, Maylson Honorato diz que sim e que gosta de desafios. Tendo mais de 10 espetáculos no currículo, o ator espera conquistar o público com sua nova proposta.
“O Homem Só” foi contemplado pelo Edital de Fomento as Artes Cênicas, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura e pelo governo de Alagoas, e deve passar por oito cidades no Estado, fazer temporada em Maceió e circular pelas capitais Nordestinas.
