
As informações foram divulgadas na noite de hoje pela assessoria de imprensa da Tribunal Regional Federal da 2ª Região. O advogado do juiz defendeu que ele seja submetido a uma junta médica para provar que Souza é incapaz para exercer o trabalho. Ele ainda argumentou que seu cliente faria jus à aposentadoria por invalidez devido aos problemas psiquiátricos.
Nesta quinta-feira, o Órgão Especial decidiu instaurar cinco processos administrativos disciplinares contra o juiz a partir dos fatos apurados nas sindicâncias conduzidas pela Corregedoria Regional da Justiça Federal da 2ª Região e na correição extraordinária efetuada na vara em que ele é titular.
Souza confessou à corregedoria do tribunal ter desviado dos cofres da 3ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro 108 mil euros (o equivalente a cerca de R$ 357 mil) e US$ 150 mil (cerca de R$ 496 mil), somando R$ 853 mil. Segundo a Procuradoria, que teve o pedido de prisão preventiva do magistrado negado, outros R$ 290 mil, que estavam depositados na Caixa Econômica Federal, também foram desviados a partir de decisões do juiz. Os valores, que somam R$ 1,143 milhão, haviam sido bloqueados pela Justiça em processo que apura o crime de tráfico internacional de drogas.
O corregedor regional, desembargador federal Guilherme Couto, diz que, nos próximos dias, a maior parte desses valores terá sido recuperada. Dentre as providências cabíveis nos processos disciplinares, está a de compelir o magistrado a ressarcir o que não tiver sido imediatamente devolvido.
Cada um dos cinco procedimentos abertos nesta quinta-feira foi distribuído para um relator. O primeiro refere-se ao uso indevido do carro e do piano de Eike Batista. O segundo trata das declarações prestadas à imprensa, no sentido de que o uso de bens apreendidos por magistrados seria prática normal.
O terceiro julgará o desvio de R$ 853 mil, apreendidos de um réu penal. O quarto é relativo à acusação de apropriação de valores pertencentes a Eike Batista. E o quinto envolve o desvio de dinheiro derivado da venda antecipada de bens apreendidos em outra ação penal.
Afastamento do caso Eike
O juiz deixou o caso do empresário após ter dirigido o Porsche Cayenne do ex-bilionário. O afastamento dele foi determinado pelo órgão Especial do TRF2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), no último dia 5 de março. Na ocasião, também foi determinada a abertura de uma investigação para apurar os indícios de irregularidades na atuação do magistrado.
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