
As vendas registraram queda de 1,7% no Brasil entre 18 e 24 de dezembro deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a Serasa Experian. Foi o primeiro resultado negativo desde 2003.
Já de acordo com a SPC Brasil, que analisa as vendas a prazo na semana que antecede o Natal, o volume de negócios caiu 0,7% em relação ao ano passado. Foi o Natal mais fraco para o comércio varejista dos últimos cinco anos, segundo a SPC Brasil.
Os motivos que explicam mais uma derrapada de 2014 já são bem conhecidos dos consumidores: inflação alta e juros caros. O cenário se complica ainda mais porque a confiança do consumidor está abaixo da média, ou seja: os brasileiros estão mais receosos com a economia nos próximos meses, o que é uma razão a mais para deixar o dinheiro guardado.
“A inflação pesou no bolso dos consumidores. Os juros estão mais elevados e os rendimentos dos trabalhadores já não crescem com tanto vigor como nos últimos anos, o que é fundamental para aquecer o consumo das famílias”, afirmou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
Shoppings e web se salvam
Quem sofreu mais com a queda foram os estabelecimentos de rua, já que os shoppings registraram uma ligeira alta.
A Alshop, representante dos shoppings, informou ontem que as vendas subiram 3% no Natal — ante uma expectativa de 4,5%. Apesar disso, o resultado foi o pior dos últimos oito anos.
No acumulado de 2014, o resultado também não é animador. A Alshop estimava crescimento nominal de cerca de 10%, mas as vendas subiram 8%.
Quem se deu bem mesmo neste Natal foi o comércio eletrônico. Em um ano em que o País deve crescer pouco acima de 0%, o comércio eletrônico conseguiu vender 37% a mais entre 15 de novembro a 24 de dezembro de 2014, na comparação com o mesmo período do ano passado. O volume negociado chegou a R$ 5,9 bilhões, batendo as expectativas, que eram de R$ 5,2 bilhões.
“A internet começa a entrar muito forte nas compras, principalmente porque as pessoas já conhecem os seus direitos [na hora de fazer uma compra online]”, explica Marcela.
Segundo a economista, no entanto, o principal termômetro da economia ainda é o das lojas físicas.
— Na loja você consegue conferir o produto e até entende melhor essa compra. É o ponto de referência do consumidor.
Marcela aponta os preços mais baixos na internet como um diferencial. Ela ressalta, contudo, que os mesmos descontos também podem ser adquiridos nos estabelecimentos.
— A internet muitas vezes tem o produto mais barato. Mas se você chegar à loja com o desconto da internet, você consegue esse desconto na loja física. [Além disso], a internet tem um desconto fixo, sem negociação. Já na loja física ainda é interessante porque dá para negociar.
Se os empresários faturaram menos nesse fim de ano, quem pode aproveitar são os consumidores. Como as vendas não foram boas, os descontos pós-Natal tendem a ser mais atrativos.
— Agora vai chamar atenção do consumidor que quer gastar menos dinheiro.
