
“No momento de dor, eu queria trazer alegria pra alguém. Alguma família tinha que ter alguma alegria. Embora na minha dor, eu sabia que se a gente fizesse uma doação, alguém ficaria feliz diante de tanta dor”, conta a professora.
Essa alegria foi constatada na tarde desta sexta-feira (26), quando Elisabete foi até o hospital onde está internado o paciente que recebeu o coração de Arthur, o militar Adeildo José da Silva. “O coração do meu filho nunca parou de bater. Foi a melhor coisa que aconteceu nas nossas vidas, dar esse coração do meu filho amado”, emociona-se a professora.
Silva também se emociona com o encontro com a mulher que o ajudou no momento de tanta dor. “Agradeço muito, porque minha vida já estava praticamente a um último respiro e veio um anjo preparado para me socorrer. Agora posso dizer que tenho mais uma mãe, mãe Elisabete”, afirma o militar.
Quem ainda não teve a mesma sorte do militar transplantado, aguarda ansioso a oportunidade. É o caso da estudante Quitéria Soares da Silva, que luta todos os dias contra uma doença renal crônica em sessões de hemodiálise. “O que a gente passa aqui não é fácil”, lamenta.
Espera dolorosa, mas que é atenuada com ações de voluntários como a assistente social Ana Cláudia Barros de Jesus. Ana Cláudia faz parte de uma das comissões intrahospitaleres de doação de órgãos e tecidos do estado. “O nosso trabalho é fazer diariamente a buscativa de doadores dentro do hospital e tentar sensibilizar as famílias para que seja efetuado transplante e, com isso, diminuir a espera pelo transplante”, esclarece.
Até o ano passado, a Central de Transplantes de Alagoas, que fica no Hospital Geral do Estado (HGE), era uma das poucas do país sem uma organização de procura de órgãos. Desde a implantação, no começo do ano, já foram realizados três transplantes de coração, o que não acontecia há dois anos.
Ações como estas trazem esperança de ver cada vez mais vezes cenas emocionantes como o abraço do militar Adeildo com a mãe do jovem que, indiretamente, salvou a vida dele.
Fonte: G1
