
O feijão-carioca, principal vilão da inflação oficial nos primeiros meses deste ano, ficou 4,61% mais barato na passagem de agosto para setembro. No mês anterior, o preço do grão já havia caído 5,6%.
Mesmo com as duas quedas consecutivas, o tradicional alimento da mesa das famílias brasileiras ainda acumula alta de 125,67% em 2016. Em 12 meses, a disparada de preço do produto é ainda maior: 149,68%. Ou seja, com o valor desembolsado para comprar 1kg de feijão hoje, era possível adquirir 2kg no final do ano passado e ainda sobrava dinheiro.
O economista do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) André Braz afirma que o preço do feijão ainda tem espaço para recuar, mas avalia que a queda não será suficiente para reverter os ganhos que fizeram o produto mais que dobrar de preço nos primeiros meses deste ano.
— Acho que há espaço para [o preço do feijão] recuar um pouquinho mais porque a terceira safra começou a ser colhida agora em agosto. Isso ainda deve continuar favorecendo a cadeia de preços do feijão, mas não a ponto de ele recompor o preço de antes dessa crise de oferta. Eu acredito que ele possa cair mais 5% ou 10%, mas nada além disso.
Além do feijão-carioca, os feijões mulatinho (+ 123,38%) e preto (+ 82,75%) fecham a lista dos três itens com o maior salto de preços neste ano. Também presente na lista, o feijão-fradinho acumula alta de 57,57% no ano. Cabe ressaltar que os preços dos feijões mulatinho e fradinho são analisados apenas em três das 13 capitais que compõem o índice.
Leite
O preço do leite longa vida, que também assustou os consumidores brasileiros neste ano com uma disparada de 52,74% até agosto, recuou 7,89% somente na passagem para setembro, de acordo com o IPCA e acumula uma alta de 40,69% em 2016.
Braz, no entanto, avalia que, diferentemente do que aconteceu com o feijão, o preço do leite foi inflacionado em função de um “problema sazonal” em função da pouca quantidade de chuvas que caiu nas áreas produtoras de gado e deve seguir em baixa por um período maior. Segundo o economista, as condições desfavoráveis afetam o custo da produção do leite e atingem o bolso do consumidor final.
— [Sem chuvas], o pecuarista entra com rações e suplementos para manter o gado com o peso e com a produção de leite parecida com a das épocas chuvosas. Mas ele não consegue. Não dá conta. Então, encarece muito o custo da pecuária quando ele compra ração e complemente. Esses custos são repassados para o preço final.
Para Braz, o preço do leite ainda pode ficar mais baixo do que o registrado em setembro devido ao tradicional retorno das chuvas nas estações mais quentes do ano.
— Eu acho que o leite ainda pode devolver boa parte desses aumentos acumulados no inverno. Com as chuvas, o pasto floresce rápido, o gado encontra capim a vontade para comer, o volume de rações é menor, você diminui o custo porque o bicho encontra na natureza e aumenta a produtividade.
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