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Denúncia revela dependentes químicos amarrados e submetidos a condições degradantes em Anadia

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Internos relatam punições em quarto escuro e sem ventilação em clínica de Anadia

Durante a fiscalização, internos relataram que eram submetidos a medidas de punição por supostos atos de indisciplina. Entre os castigos mencionados estava a obrigação de esvaziar uma piscina utilizando apenas um balde e, posteriormente, realizar a limpeza do local.

A situação considerada mais grave pelas autoridades, no entanto, envolvia um quarto descrito pelos internos como escuro e sem ventilação. Segundo os relatos, alguns pacientes eram amarrados e mantidos trancados no espaço por períodos que poderiam chegar a 24 horas.

Ainda de acordo com os depoimentos, havia apenas uma pequena abertura utilizada para a entrega de alimentos. Durante o período de confinamento, os internos permaneciam deitados no chão ou em um colchão, sem iluminação adequada, ventilação ou contato com outras pessoas. Alguns apresentaram marcas nos pulsos, que teriam sido provocadas pela contenção.

Um adolescente de 15 anos estava entre os internos que relataram ter sido colocados no quarto. Segundo ele, a punição teria ocorrido após um desentendimento com o filho do responsável pelo local.

“Eu fiquei só de cueca, dois dias nesse local. Fui pra lá porque o filho do missionário disse que ia pegar minha mãe. Eu respondi, aí ele me colocou lá. Mas também já tive que secar a piscina com um balde”, relatou.

O adolescente afirmou ainda que não contou à família sobre as condições em que estava durante as visitas por medo de sofrer novas punições.

Ele também relatou problemas relacionados à alimentação e afirmou ter apresentado sintomas como febre, dor de cabeça e tontura durante o período em que esteve no local.

“Eu tava há cinco dias sem comer. A salsicha, quando vinha, era com cheiro de podre. Aqui eu tive febre, dor de cabeça, tontura. Eu tô feliz que vou voltar pra casa”, disse.

Além do adolescente, a fiscalização encontrou outros internos que apresentaram relatos semelhantes sobre as supostas punições, incluindo o esvaziamento da piscina com baldes e a permanência amarrados no quarto.

Também havia no local uma pessoa com deficiência auditiva.

Ao final da fiscalização, quatro pacientes decidiram permanecer na instituição e recusaram o transporte disponibilizado para a saída do espaço pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), com apoio da Prefeitura de Anadia.

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