Ação apresentada por coligação adversária de R$ 329 mil pagos por empresa de comunicação para sete pesquisas sobre as disputas pelo Governo de Alagoas e pelo Senado.

O candidato ao Governo de Alagoas João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), é alvo de uma ação noTribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) que questiona o suposto uso de recursos nãodeclarados para custear pesquisas eleitorais. Oprocesso também envolve sua vice, Célia Rocha, os candidatos ao Senado Marina Candia (PSDB) eArthur Lira (PP), além dos respectivos suplentes.
A ação foi apresentada pela coligação Pra Alagoas Fazer História de Novo, adversária do grupo político de JHC na disputa pelo governo.
Segundo a petição, entre abril e setembro de 2026, a empresa Agora Alagoas Comunicação Ltda. teria pago R$ 329 milpor sete pesquisas eleitorais sobre as disputas pelo Governo de Alagoas e pelo Senado.
Os levantamentos foram realizados pelo Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu Ltda., conhecidocomo TDL Pesquisas, empresa atribuída a Tadeu Lira, apontado na ação como primo de Arthur Lira.
De acordo com a acusação, seis das sete pesquisasjá haviam sido divulgadas e apresentavam JHC na liderança. Uma sétima pesquisa tinha divulgação prevista para 30 de setembro, quatro dias antesdo primeiro turno.
A coligação sustenta que os pagamentos não aparecem nas prestações de contas eleitorais dos candidatos ou dos partidos envolvidos. A empresa apontada como responsável pelos pagamentos possui capital social de R$ 5 mil e é enquadrada como microempresa.
Segundo os cálculos apresentados na ação, os R$ 329 mil pagos em cinco meses correspondem a mais de 65 vezes o capital social da empresa e aaproximadamente 91% do limite anual de faturamento atribuído ao seu porte. Para os autores da ação, os valores levantam questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados para contratar as pesquisas.
A petição também questiona os vínculos das sócias da Agora Alagoas com a Prefeitura deMaceió. Uma delas, Eduarda Nicole Sá Calheiros, é apontada como servidora da Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas e Patrimônio, tendo sido nomeada durante a gestão de JHC.
A outra, Beatriz Ardison dos Santos, é apresentada como sócia majoritária e administradora do portale mãe de um servidor comissionado da mesma pasta. Segundo a ação, esse servidor já teria exercido a função de secretário parlamentar de JHC.
A coligação pede que sejam apresentados contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamento e documentos contábeis para esclarecer a origem dos recursos utilizados nas pesquisas.
Os autores sustentam que os fatos podem configurar irregularidades eleitorais, incluindo possível captação ou gasto ilícito de recursos e abuso de poder econômico. A ação também pede a aplicaçãodas sanções previstas na legislação eleitoralcaso as acusações sejam comprovadas.
Até o momento, não há decisão definitiva do TRE-AL sobre o mérito das acusações. Os fatos relatadosna ação ainda dependem de apuração pela Justiça Eleitoral, e os envolvidos têm direito à defesa.
