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Crônica Política: Jullyne do SLB – Uma Dinastia Particular

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Saulo Brito é advogado e professor

A política brasileira descobriu uma fórmula de admirável simplicidade: há nomes que, quando associados a outros, parecem adquirir uma gravidade que a própria biografia talvez não explique. O sobrenome vira marca, a marca vira identidade e, em algum momento, já não se sabe onde termina a pessoa e começa a sigla.

É nesse território que surge Jullyne do SLB.

Jullyne é minha esposa, também advogada, mulher de personalidade própria e integrante, comigo, de uma curiosíssima sociedade conjugal em que o contraditório não é apenas princípio constitucional: é prática cotidiana. Mas eis que aparece o complemento: do SLB.

SLB significa Saulo Lima Brito. Três letras que, aplicadas à Jullyne, parecem transformar uma simples identificação numa espécie de legenda eleitoral, embora não exista eleição alguma. É apenas uma licença poética para brincar com essa velha mania de transformar proximidade em identidade, sobrenome em marca e vínculo em patrimônio.

Jullyne, entretanto, não precisa ser “de” ninguém. E aí está a ironia.

O “do SLB” não é propriedade; é provocação. Não é identidade; é metáfora. É a caricatura de uma lógica bastante conhecida: quando duas pessoas caminham juntas, sempre aparece alguém querendo descobrir qual delas empresta o nome à outra.

No nosso caso, a resposta talvez seja impossível.

Casamento entre advogados não admite soberania muito definida. É uma jurisdição compartilhada, com ampla defesa, contraditório, produção antecipada de provas e, em casos mais complexos, sustentação oral espontânea durante o jantar.

Jullyne seria, portanto, uma primeira-dama sem mandato, sem palácio e sem campanha. Não governa território algum; participa de uma pequena República de dois cidadãos, onde até uma divergência banal pode adquirir a solenidade de uma audiência.

E talvez esteja aí a melhor parte da brincadeira.

Enquanto a política se esforça para transformar nomes em marcas, Jullyne possui aquilo que nenhuma estratégia de marketing consegue fabricar: identidade própria. O SLB é apenas o adorno da metáfora, uma pequena sátira sobre poder, nomes e essa irresistível mania contemporânea de acreditar que três letras podem conferir autoridade suplementar. Não conferem.

Mas rendem um excelente título.

Assim nasceu Jullyne do SLB: minha esposa, minha colega de profissão e personagem involuntária desta pequena crônica sobre nomes, poder e as curiosas formas pelas quais os vínculos humanos acabam recebendo títulos que ninguém solicitou.

E ao SLB resta apenas reconhecer uma verdade juridicamente incontornável: “há sociedades que acumulam capital, outras acumulam poder; na nossa, o ativo mais valioso é a Jullyne.”

O resto são apenas três letras.

SLB.

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