Alagoas

JHC tenta esconder rombo de R$ 313 milhões no caixa do Iprev com dados sobre ‘patrimônio’

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O ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), candidato ao governo de Alagoas, voltou a ser criticado pelo uso de dados relacionados ao patrimônio do Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em meio à disputa sobre a situação financeira da autarquia.

O ministro dos Transportes, George Santoro, contestou as informações divulgadas por JHC em sua campanha. Em uma publicação nas redes sociais, feita na sexta-feira (11), Santoro afirmou que os números apresentados pelo ex-prefeito correspondem à soma de imóveis e áreas públicas transferidos para o Fundo Previdenciário e, portanto, não poderiam ser apresentados como resultado financeiro do instituto.

“Eu fui olhar o demonstrativo atuarial agora de 2026 e lá apresenta um déficit financeiro de R$ 313,9 milhões. O valor que ele coloca se refere a uma transferência de patrimônio. João Caldas, patrimônio não é recurso financeiro. Ele não se monetiza assim”, afirmou Santoro.

O déficit de R$ 313,9 milhões citado pelo ministro consta no Demonstrativo de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) de 2026, documento de envio obrigatório ao Ministério da Previdência Social pelos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de estados e municípios.

Segundo Santoro, a inclusão do patrimônio do Iprev na apresentação dos números não deve ser confundida com a situação financeira do instituto. A discussão ocorre em meio à campanha eleitoral e às diferentes interpretações sobre os dados previdenciários da capital alagoana.

Alagoas Previdência

A disputa também envolve os números do Alagoas Previdência, fundo previdenciário administrado pelo Governo de Alagoas. JHC teria questionado a situação financeira do fundo estadual, enquanto Santoro apresentou dados do DRAA que apontam um superávit de R$ 513,8 milhões.

Mesmo após as críticas do ministro, JHC continua defendendo, em manifestações públicas, que o Iprev apresenta situação financeira positiva.

Em sua publicação, Santoro também fez críticas pessoais ao ex-prefeito. “João Caldas mostra desconhecimento sobre dados da Prefeitura que geriu por mais de sete anos. É uma pessoa despreparada. Demonstrou absoluta incerteza do próprio plano [de governo] que ele fez. Para além de conteúdo, o que falta em João Caldas é a verdade”, afirmou.

Caso Master

A discussão sobre a situação financeira do Iprev ocorre paralelamente aos desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master.

Na sexta-feira (11), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou o sigilo de parte do inquérito que investiga o caso. Entre os documentos divulgados, a Polícia Federal apontou JHC como responsável administrativo pelo Iprev durante o período em que ocorreram repasses que somaram R$ 97 milhões ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A menção ao ex-prefeito pela Polícia Federal levou o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) a remeter o inquérito ao Supremo Tribunal Federal. A decisão considerou a existência de foro por prerrogativa de função no período relacionado às investigações.

As apurações sobre o caso ainda estão em andamento, e a citação de JHC nos documentos não representa, por si só, conclusão de responsabilidade criminal.

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