No debate desta quarta-feira (10) promovido pela TV Gazeta entre os candidatos ao governo de Alagoas, Renan Filho (MDB) usou o escândalo do Banco Master para atacar diretamente JHC (PSDB). O tema entrou em cena quando o senador questionou o ex-prefeito de Maceió sobre os investimentos do Iprev, o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió, na instituição bancária investigada pela Polícia Federal.
“Quem não gosta de servidor, João Caldas [nome de JHC], é você, que colocou o dinheiro dos servidores de Maceió no Banco Master, do Daniel Vorcaro, e está sendo investigado por isso. Você precisa aproveitar esse debate para explicar às pessoas por que a prefeitura de Maceió investiu no Banco Master e perdeu o dinheiro dos aposentados”, disse Renan Filho em um dos três momentos em que o tema virou o centro do debate. O senador também citou o bloqueio de bens do secretário municipal da Fazenda de Maceió: “Para garantir o ressarcimento do Iprev, a justiça achou por bem bloquear os bens do secretário da Fazenda da prefeitura de Maceió”.
Os fatos que embasam a acusação são graves. Durante a gestão de JHC, o Iprev de Maceió aplicou R$ 97 milhões em letras financeiras do Banco Master: R$ 80 milhões em dezembro de 2023 e mais R$ 17 milhões em maio de 2024. Em agosto deste ano, a Polícia Federal cumpriu oito mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF, e o magistrado determinou o bloqueio de bens dos investigados até o limite global de R$ 97 milhões. Entre os alvos está João Felipe Alves Borges, secretário municipal da Fazenda de Maceió, que integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos investimentos. A PF pediu o afastamento dele do cargo, mas a Procuradoria-Geral da República se posicionou contra, entendimento seguido pelo ministro Mendonça.
A PF apontou que a política de investimentos do Iprev previa 0% para ativos de emissão bancária, ou seja, vedava exposição a esse tipo de risco de crédito. Em 2024, o limite passou para 5%, mas os gestores do Iprev de Maceió teriam ampliado o índice para próximo de 20%. Para os investigadores, isso demonstra que “a governança do instituto foi subvertida para atender a interesses alheios à proteção do erário”.
JHC NEGA RESPONSABILIDADE
JHC nega responsabilidade pelo investimento. Em julho deste ano, a Justiça de Alagoas excluiu o ex-prefeito e o Município de Maceió de uma ação popular movida por Renan Calheiros (mdb), apontando que, até o momento, não há elementos que indiquem participação, determinação, anuência ou interferência direta do então prefeito nas decisões de investimento do Iprev. Em guia eleitoral recente, JHC afirmou que não sabia da aplicação dos recursos no Master. A versão, porém, foi contestada por ex-prefeitos de Maceió, que afirmaram que gestores sempre souberam e supervisionaram onde os recursos do Iprev eram aplicados.

