As peças do tabuleiro político alagoano se movimentam em ritmo acelerado, em meio a negociações de bastidores e a um cenário de alta tensão. Nas rodas de conversa política, um dos assuntos que ganha cada vez mais força diz respeito ao futuro do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB).
Após renunciar ao comando do Executivo municipal e em meio a articulações que envolvem até apelos diretos do presidente Lula, em Brasília, cresce entre aliados a avaliação de que JHC enfrenta uma escolha de alto risco: terminar a eleição sem mandato e, consequentemente, sem um cargo eletivo a partir de 2027.
A encruzilhada de JHC fica ainda mais evidente diante da disputa pelas duas vagas de Alagoas no Senado Federal. O cenário reúne duas das principais forças políticas do Estado: Renan Calheiros (MDB), senador experiente, com forte inserção no governo federal e musculatura política consolidada; e Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara dos Deputados e uma das principais lideranças políticas de Alagoas.
Os dois também contam com amplo apoio de prefeitos alagoanos, o que fortalece suas estruturas eleitorais nos municípios. Para JHC, entrar na disputa pelo Senado contra os dois adversários representa um confronto de alto risco, especialmente diante da força política e das alianças construídas por ambos.
Renan Filho lidera disputa pelo Governo com “rede de segurança”
Do outro lado da disputa majoritária, o caminho para o Palácio República dos Palmares parece mais claro para o ex-governador e ex-ministro Renan Filho (MDB). Com o mote “Pra fazer história de novo”, o emedebista parte para a disputa com uma estrutura política consolidada e ampla articulação junto a prefeitos e ao governo federal.
Um dos principais diferenciais de Renan Filho está justamente na condição de já possuir um mandato. Caso não seja eleito governador, ele ainda terá quatro anos de mandato como senador da República.
Para quem renunciou ao mandato ou disputa uma eleição sem outro cargo eletivo assegurado, como é o caso de JHC, o cenário é diferente. Uma eventual derrota nas urnas significaria ficar sem mandato a partir de 2027.
“Entre cumprir acordos selados com o Planalto e calibrar as pressões do PSDB e de aliados regionais, JHC vive o momento mais decisivo de sua trajetória. As próximas semanas dirão se a estratégia adotada garantirá protagonismo político no Estado ou se o resultado das urnas poderá deixá-lo sem mandato”, afirmou à reportagem o cientista político Marcelo Bastos.

