A declaração do ministro dos Transportes e pré-candidato ao Governo de Alagoas, Renan Filho (MDB), de que “nunca foi de esquerda nem de direita” continua repercutindo no cenário político alagoano.
A fala foi feita durante um encontro com lideranças evangélicas, na última segunda-feira (20), quando Renan voltou a afirmar que se considera um político de centro.
“Nunca fui de esquerda, nem de direita. Sou uma pessoa eminentemente de centro”, declarou.
A afirmação gerou reações de adversários políticos. O vereador Leonardo Dias (PL), ligado ao bolsonarismo, resgatou uma declaração anterior de Renan Filho em que ele dizia: “Neutro é shampoo de neném. Eu não sou neutro, eu sou Lula”, sugerindo uma incoerência entre as duas posições.
Entretanto, as duas declarações tratam de aspectos distintos. Ao afirmar que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Renan Filho manifesta seu alinhamento eleitoral e político no cenário nacional. Já ao se definir como um político de centro, faz referência ao posicionamento ideológico que atribui à própria trajetória.
Em nenhum momento o ministro afirmou ser neutro na política nacional ou negou sua aliança com Lula. Da mesma forma, também não se apresentou como representante da esquerda na disputa pelo Governo de Alagoas.
O posicionamento de Renan Filho não é inédito. Em outras ocasiões, ele já defendeu que o presidente Lula ampliasse o diálogo com setores do centro político, argumentando que esse espaço seria estratégico diante da polarização nacional.
Ao longo da história recente da política brasileira, alianças entre Lula e partidos ou lideranças de centro — e até de centro-direita — foram frequentes, demonstrando que apoio ao presidente e identidade ideológica nem sempre são conceitos equivalentes.
A declaração reforça a estratégia do pré-candidato de buscar um discurso voltado ao eleitorado moderado, ao mesmo tempo em que mantém seu apoio ao governo federal.

