Da Redação
A Polícia Civil de Alagoas investiga um suposto esquema de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e organização criminosa que teria movimentado cerca de R$ 455 milhões em quatro anos. As investigações têm como principais alvos o empresário José Vieira dos Santos, conhecido como Dedé Veículos, e seu filho, Victor Bruno da Silva, o “Vitinho”, preso na última sexta-feira (10).

Segundo a Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Deccor), a apuração dos crimes financeiros teve início durante as investigações sobre a fuga de Vitinho, que permaneceu foragido por um ano e cinco meses após ser acusado de estuprar uma jovem em Coité do Nóia, em dezembro de 2024.
Com autorização da Justiça para analisar movimentações bancárias, os investigadores identificaram que apenas Dedé Veículos movimentou aproximadamente R$ 150 milhões em contas bancárias nos últimos quatro anos. Somadas as transações atribuídas a outras pessoas investigadas, o volume financeiro chega a R$ 455 milhões.
De acordo com o delegado José Carlos, responsável pela investigação, o grupo seria formado por seis pessoas físicas e jurídicas, incluindo pai e filho e quatro supostos “laranjas”. A suspeita é de que valores provenientes da compra e venda de veículos usados fossem depositados em contas pessoais, em vez de passarem pelas empresas oficialmente registradas.
A polícia afirma que foram identificadas três empresas ligadas ao empresário, sendo duas em Arapiraca e uma em São Miguel dos Campos. Apenas uma delas estaria regularmente registrada e funcionando formalmente, enquanto as demais operariam sem CNPJ. Outra empresa, localizada em Maceió, também passou a ser investigada.
Segundo a Deccor, a estratégia permitiria ocultar parte do faturamento e reduzir o pagamento de tributos estaduais. Para os investigadores, a utilização de contas de terceiros caracteriza indícios de lavagem de dinheiro, além de possível fraude contra o Fisco.
Durante a operação que resultou na prisão de Vitinho, policiais apreenderam 17 livros com anotações que seriam referentes às negociações da empresa, além de dois veículos avaliados em cerca de R$ 250 mil. Todo o material será periciado e poderá reforçar as investigações.
A Polícia Civil informou ainda que pediu o bloqueio judicial de R$ 2 milhões em contas dos investigados. A estimativa inicial é de um débito de aproximadamente R$ 1,8 milhão em impostos estaduais, valor que ainda será analisado pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).
As investigações continuam para identificar a extensão do suposto esquema e a participação de todos os envolvidos. Até o momento, as acusações são objeto de investigação policial e ainda serão analisadas pela Justiça, garantindo aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.
