
No atestado de óbito, as causas da morte de Cledson Ney foram lesão no tecido cerebral e traumatismo craniano. No documento, há a confirmação de que houve homicídio por espancamento.
O jovem tinha transtornos psiquiátricos e era dependente químico, segundo a família. Ele foi encaminhado pela Prefeitura de Maceió para internação na clínica O Caminho, que é um estabelecimento privado e credenciado para receber pacientes do sistema de saúde do Estado e do Município.
O advogado da clínica, Victor Cavalcante, afirmou que Cledson Ney se envolveu em uma briga dentro de um quarto e depois da briga foi socorrido por monitores.
A família da vítima, porém, diz que houve negligência da clínica porque o paciente foi espancado na segunda-feira, mas só foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no dia seguinte, quando já estava em coma. Cledson Ney chegou a ser transferido para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu.
Sobre a acusação de negligência, o advogado afirmou que, na noite do espancamento, a vítima dormiu no quarto dos monitores, estava bem e não precisou ficar na enfermaria. No dia seguinte, quando o jovem não acordou, foi levado para a UPA.
A polícia informou que vai ouvir monitores, enfermeiras, os proprietários da clínica, além de pacientes envolvidos e os que presenciaram o espancamento.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disse que suspendeu temporariamente o encaminhamento de novos pacientes para a clínica. Leia, abaixo, na íntegra:
Nota da Secretaria Municipal de Saúde
A Secretaria de Saúde de Maceió (SMS) informa que foi comunicada pelos responsáveis pela clínica terapêutica de internação involuntária sobre a ação violenta entre usuários no local cerca de 12h após o ocorrido, depois de constatada, pelos monitores, o agravamento da situação do rapaz agredido e seu encaminhamento para assistência emergencial.
De imediato, após a efetivação do Boletim de Ocorrência (B.O.) a SMS solicitou ao estabelecimento um relatório detalhado sobre o ocorrido, para oficializar toda a situação e adotar as providências cabíveis. Dois agressores foram detidos pela Polícia Civil. Outros dois agressores fugiram do local.
O serviço de internação involuntária – determinado por decisão judicial e com responsabilidade compartilhada entre a Prefeitura de Maceió e o Governo do Estado – é realizado na capital alagoana por seis clínicas terapêuticas, que são regularmente monitoradas pela área específica das duas instâncias governamentais. Desde a constatação do óbito, a SMS, através da equipe do CAPS AD, vem prestando toda assistência à família e fazendo os encaminhamentos necessários. A SMS também suspendeu temporariamente o encaminhamento de novos pacientes para o local.
