Por Alessandra Conceição
O deputado federal e ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, está marcado para prestar depoimento à Polícia Federal (PF) no dia (27) de fevereiro, na sede em Brasília. Ramagem é figura central em uma investigação que apura suposto monitoramento ilegal de jornalistas, advogados e opositores do clã Bolsonaro.
Apesar de ter sido alvo de busca e apreensão há sete dias, Ramagem alega não ter tido acesso aos autos do caso. A operação, denominada Vigilância Aproximada, foca não apenas em Ramagem, que também é delegado da PF, mas investiga outros policiais federais suspeitos de integrar uma organização criminosa dentro da Abin. A alegação é de que esse grupo utilizava um software espião chamado FirstMile para monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas.
De acordo com as investigações, Ramagem teria autorizado os monitoramentos sem justificativas técnicas adequadas. A Operação Vigilância Aproximada realizou buscas no gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados e em seu apartamento funcional em Brasília.
Recentemente, Ramagem teve uma reunião rápida com o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco, após este dialogar com líderes da oposição no Senado. Senadores de oposição expressaram preocupação com as operações da PF direcionadas a parlamentares contrários ao governo federal, contestando também a condução dos inquéritos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O líder da oposição na Câmara, Carlos Jordy, também foi alvo de mandados de busca e apreensão pela PF.

