
Ela tem PAF (Polineuropatia Amiloidótica Familiar), uma alteração genética que faz com que o fígado produza uma proteína anormal que se deposita em tecidos e órgãos causando alterações nos movimentos, insensibilidade, problemas visuais e gastrointestinais.
Por isso, ela precisava de um novo fígado para não perder os movimentos das pernas. O órgão, inútil para Andrea, é considerado bom para Horácio, portador de colangite esclerosante primária. A condição autoimune causa coceiras intensas e esgotamento físico. Apesar de poder desenvolver a PAF, Horácio só poderá sofrer da doença daqui a pelo menos 30 anos.
Os dois passaram por uma cirurgia no Hospital Jayme da Fonte em Recife (PE) com a técnica chamada dominó que permite dois transplantes ao mesmo tempo. Horácio recebeu o fígado de Andrea e ela de uma pessoa que morreu. A operação durou mais de 15 horas e os dois deixaram o hospital na última quarta-feira (6).
Andrea conta que dois irmãos dela perderam os movimentos das pernas e braços por não terem conhecimento do que é a doença. Em outubro do ano passado ela sentiu dormência nas mãos e procurou um médico.
— Eu tive umas dormências na mão e corri para o médico. Um mês depois eu já estava na fila do transplante. Sou mais novas que meus irmãos e tive a sorte de ter a informação do que é a doença e conseguir me tratar a tempo.
Os dois pacientes se conheceram na fila de espera. Horácio é morador de São Paulo e viajou até Recife para a cirurgia. Livre do receio de receber o órgão de um morto, ele diz que se encantou com Andrea.
— Ela é um amor, uma pessoa simples. Desejo que nenhum de nós tenha rejeição e quero retomar minha agenda de shows. Vou tocar muito agora.
A técnica é pouco utilizada e foi considerada uma grande conquista para os médicos. O responsável equipe de cirurgia, Cláudio Lacerda, explicou o procedimento.
— O transplante hepático é um dos procedimentos mais complexos dentro da medicina e, fazê-lo utilizando a técnica dominó, é uma grande conquista para todos nós.
Fonte : R7
