
— Não importa a forma como olhamos para ela, a obesidade está destinada para substituir o tabaco como o risco evitável de câncer — disse o oncologista Clifford Hudis, presidente da Asco e chefe do serviço de câncer de mama do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York.
Ele comentava um estudo da Universidade de Oxford que havia analisado 80 mil mulheres com câncer de mama em estágio inicial. A pesquisa constatou que a obesidade estava associada a um risco 34% maior de morte para as mulheres na pré-menopausa, cuja doença é suscetível a níveis mais altos do hormônio estrogênio. O excesso de gordura aumenta os níveis desse hormônio no corpo, estimulando o crescimento do tumor.
O estudo reforça as evidências de que a obesidade não apenas eleva o risco de se desenvolver tipos comuns de câncer, como de mama, cólon e próstata, mas também influencia no resultado do tratamento, alterando o volume de quimioterapia distribuído nas células e reduzindo a eficácia da terapia hormonal.
Novas recomendações
Em resposta às pesquisas que relacionam cada vez mais a obesidade e o câncer, a Asco publicou novas diretrizes para médicos e pacientes sobre como lidar com questões relacionadas ao excesso de peso após um diagnóstico de câncer. Estimular a perda de peso, a prática de atividade física e oferecer ao paciente um programa alimentar adequado devem fazer parte da prática clínica diária.
— O excesso de peso vai substituir o cigarro como principal causa evitável de câncer. É preciso agir. Esperamos que não demore o mesmo tempo que levou para conscientizar a população contra os males do cigarro — disse Paulo Hoff, membro da Asco e diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).
Fonte: Extra

