
No Brasil, o caso também implica Collor. Conforme inquérito da Polícia Federal de abril do ano passado, o senador promoveu uma “intervenção direta” na BR Distribuidora para a contratação da usina de Lyra.
Em 2010, a BR Distribuidora fechou contratos com a empresa do usineiro, a Laginha Agro Industrial S/A, movimentando R$ 5 milhões e uma linha de crédito no valor de R$ 2,2 milhões. Sem garantias compatíveis com o alto risco das operações, a PF indica que as transações financeiras tenham gerado prejuízo ao erário no valor de aproximadamente R$ 9 milhões.
Mas a investigação apurou que o negócio só foi fechado depois da intervenção direta de Collor. A PF concluiu que a concessão de mútuo e contratos sem garantias de ressarcimento representou o emprego indevido de recursos financeiros da estatal em benefício particular. “Como a ação somente foi possível após a intervenção do senador, foi imputada a ele a responsabilidade criminal pela prática, em tese, do crime de peculato (art. 3212 do Código Penal)”, diz a PF.
Em abril do ano passado, o gabinete do ex-presidente indicou que ele “defendeu os interesses do Estado de Alagoas, duramente atingido por catástrofes com reflexos devastadores no setor sucro-alcooleiro, cumprindo atribuição de parlamentar representante daquele Estado”.
Processo. Na Suíça, Collor não é citado. Mas os documentos revelam que, em 3 de março do ano passado, Berna decidiu transferir ao Brasil o inquérito sobre Lyra, sob a justificativa de que ele não seria extraditado para ser ouvido pela Justiça suíça e que, em termos penais, faria mais sentido que seu processo ocorresse no Brasil. O mecanismo foi o mesmo utilizado pelos suíços para repassar a Brasília o caso de Eduardo Cunha.
Lyra, porém, recorreu. Sua esperança era de que seus dados não fossem repassados ao Brasil. Mas, em abril de 2017, seu pedido foi negado. Mas, em 6 de julho de 2017, o Ministério da Justiça no Brasil solicitou que os recursos de Lyra continuassem bloqueados na Suíça.
Em 15 de dezembro de 2017, o banco usado por Lyra se recusou a suspender o sequestro de seus bens. No dia 8 de janeiro de 2018, finalmente, o tribunal determinou que a conta deveria continuar bloqueada.
Procurada, a defesa de João Lyra afirmou que o ex-deputado não recebeu qualquer comunicação oficial a respeito de qualquer procedimento e que Lyra não está sendo investigado por corrupção ou por lavagem de dinheiro. A defesa também afirma que “a investigação não tem nenhuma relação com o caso de Lyra e se refere a outra personalidade no cenário nacional”. Ainda disseram que as informações obtidas sobre o bloqueio das contas foram por meio da imprensa e foi justificado pela ausência de comprovação da origem dos valores.
Fonte: Estadão
