
Cada item na estante conta uma história diferente, de uma largada, de um trajeto, de uma fase da vida do idoso. Ele continua a vencer distâncias com passos rápidos. Corre, facilmente, 10 quilômetros por dia. Embora tenha se aposentado como terceiro-sargento, é conhecido no meio atlético como Cabo Corredor.
Adolfo abre a porta de casa vestido com as roupas de corrida e a pele manchada de sol. Dois cachorros e um gato correm pelo jardim da residência simples em Taguatinga Sul, onde ele educou os sete filhos. A calçada está pintada e limpa. Com um físico admirável, é magro e resistente como uma rocha.
Adolfo Joaquim mistura histórias para explicar, com a voz rouca e um sorriso largo, a boa condição atlética. Fala do esporte, de ser atuante na comunidade, de viver bem, de honestidade e de trabalho. Para ele, está tudo interligado. À medida que conta os casos, ri e bate com a perna no chão, com as mãos no joelho. Conta que nunca teve medo de autoridade e, pelo que é certo, enfrenta o que for preciso. “Eu apronto, mas tudo com honestidade”, sorri. “A maior arma de um policial é a educação. Com ela, já chamei a atenção até de general do Exército”, recorda.
Ele nasceu em 23 de agosto de 1933, em Frade (CE). Cresceu sob a educação rígida do pai. Mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1953, ingressou na Polícia Militar do Distrito Federal — à época, a cidade carioca era a capital do país. Começou como soldado e foi promovido a cabo. O detalhe: odiava correr. “Tínhamos que correr. Fazíamos a formação e saíamos. Eu já tinha sido promovido e tinha que ir na frente da turma. Acabei gostando”, conta. Ele trabalhou no Primeiro Batalhão até 1958, quando foi destacado para fazer a segurança pessoal do então ministro da Justiça, Abelardo Jurema. No golpe de 1964, foi enviado de volta para o quartel.
Fonte: Correio Braziliense
