Olho Vivo

Olho Vivo: Helenildo Neto critica a Prefeitura, mas esquece o caixão e o velório simbólico do pai

Publicidade

Em 2013, servidores em greve fizeram um velório simbólico de James Ribeiro na sede do Executivo municipal. Hoje, o filho do ex-prefeito ocupa uma cadeira de vereador e cobra a gestão que sucedeu seu grupo político.

O vereador Helenildo Neto, filho do ex-prefeito James Ribeiro, tem todo o direito de fiscalizar a Prefeitura de Palmeira dos Índios. Mas, quando decide transformar as redes sociais em palanque de críticas à atual administração, precisa estar preparado para responder às perguntas que a história política do município impõe.

*A memória de Palmeira não pode ser seletiva.*

Em agosto de 2013, servidores municipais da Saúde e da Educação, em greve, ocuparam a Prefeitura e realizaram um velório simbólico do então prefeito James Ribeiro, com caixão e velas pretas. A manifestação foi noticiada pela imprensa e pelo sindicato da categoria. Os trabalhadores protestavam contra a falta de negociação, reivindicavam reajustes e cobravam direitos. A greve já durava mais de um mês.

Em novembro de 2016, a situação do funcionalismo voltou a ser tema de denúncias públicas. Uma reportagem da época registrou reclamações de servidores que estariam havia meses sem receber salários, além de dificuldades enfrentadas por fornecedores e serviços municipais.

Diante desse histórico, a pergunta é inevitável: onde estava Helenildo Neto para defender os servidores e cobrar providências quando seu pai administrava o município?

Agora, como vereador, Helenildo tem o dever de fiscalizar. Mas também precisa compreender que seu mandato não pode se resumir a críticas à Prefeitura. Vereador deve defender Palmeira dos Índios, trabalhar pela população e apresentar soluções para os problemas da cidade.

Desde 2017, o município iniciou um novo ciclo administrativo, com obras, investimentos e ampliação de serviços públicos. É legítimo cobrar a gestão atual, mas não é razoável ignorar o passado político de quem faz a cobrança.

Palmeira dos Índios não pertence à família Ribeiro, nem a qualquer grupo político. Pertence à população, que conhece sua história e sabe o que enfrentou.

Quem cobra coerência precisa aceitar a mesma cobrança. Quem exige respostas também precisa responder. E quem representa o povo de Palmeira deve colocar os interesses da cidade acima da disputa política.

Publicidade