
Gleice completaria 23 anos nesta quarta-feira. O corpo foi localizado em uma fazenda e estava em avançado estado de decomposição. Segundo a polícia, as roupas encontradas eram semelhantes às usadas pela jovem no dia do desaparecimento. Uma tatuagem no braço também foi identificada. A confirmação oficial da identidade, no entanto, ainda depende de exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML).
A investigação, conduzida pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), inicialmente tratava o caso como sequestro. Após a localização do corpo e diante dos indícios de que a jovem teria sido executada, a polícia passou a investigar o caso como homicídio qualificado com ocultação de cadáver.
De acordo com o delegado João Marcello, que participa das investigações, o corpo foi localizado após a polícia receber informações sobre o possível paradeiro da vítima. Buscas foram realizadas na noite de terça-feira (6), mas o cadáver não foi encontrado naquele momento.
Na manhã desta quarta-feira, uma nova equipe retornou ao local e conseguiu localizar o corpo. Durante a análise inicial, os policiais identificaram visualmente um ferimento compatível com disparo de arma de fogo no crânio. Nenhuma cápsula de munição foi encontrada na área.
A polícia ainda investiga se Gleice foi morta no local onde o corpo foi localizado ou se foi levada para a região depois de já estar morta.
Jovem foi retirada de casa
Segundo a investigação, quatro homens encapuzados e armados invadiram o apartamento onde Gleice estava. Conforme os depoimentos colhidos pela polícia, a jovem teria sido agredida com uma pancada na cabeça e retirada do imóvel desacordada.
Uma testemunha que estava na residência no momento do crime informou aos investigadores quais roupas Gleice usava quando foi levada. O pai da jovem também esteve no local onde o corpo foi encontrado e reconheceu as vestimentas e a tatuagem.
Ex-companheiro foi preso
Uma pessoa foi presa durante a investigação. Trata-se do ex-companheiro de Gleice, que, segundo a Polícia Civil, negou participação no desaparecimento e na morte da jovem.
O delegado afirmou, porém, que o homem apresentou contradições em diferentes momentos dos interrogatórios e demonstrou nervosismo durante os depoimentos. Ainda segundo a investigação, foi possível confirmar que ele teria feito ameaças contra Gleice e pessoas ligadas a ela.
A polícia informou que o suspeito não indicou o local onde o corpo estava e que as declarações apresentadas por ele foram confrontadas com outros elementos reunidos durante a apuração.
Polícia aponta possível envolvimento com facção
Segundo o delegado, o ex-companheiro de Gleice integraria uma facção criminosa responsável pelo tráfico de drogas na região do Planalto, no Benedito Bentes. Conforme a investigação, ele exerceria uma função conhecida como “disciplina”, relacionada à aplicação de punições dentro da organização.
A principal linha investigativa aponta que Gleice teria sido alvo da facção após retornar ao Conjunto Parque dos Caetés, área próxima ao Planalto, mesmo depois de ter sido orientada a deixar a região.
De acordo com os investigadores, Gleice trabalhava em um restaurante e tinha um filho. Até o momento, a polícia não identificou indícios de que ela tivesse envolvimento com o tráfico de drogas. A hipótese investigada é de que a facção teria considerado o retorno da jovem à localidade como um descumprimento de uma ordem para deixar a região.
