O julgamento de Carlos Henrique Ferreira Santos, de 37 anos, acusado de participar do assassinato do blogueiro político Adriano de Farias Firmino Silva, de 33 anos, teve como um dos principais pontos da acusação a suposta motivação política do crime. A afirmação foi feita pela promotora de Justiça Adilza Freitas durante os debates do júri, realizado nesta segunda-feira (5), no Fórum do Barro Duro, em Maceió.
Segundo a promotora, Adriano teria sido assassinado em razão das críticas que fazia à administração municipal. Adilza afirmou que o caso não se trataria apenas de um homicídio, mas de um crime que envolveria o uso do poder para determinar a morte de uma pessoa.
“Esse crime, não temos dúvidas, foi político. Há uma investigação em andamento sobre os mandantes do crime”, declarou a promotora durante a sustentação da acusação.
Ao longo dos debates, Adilza Freitas também mencionou a situação da mãe de Adriano, afirmando que ela teria adoecido após a morte do filho e atualmente estaria intubada, em estado grave.
A representante do Ministério Público também afirmou que o homicídio teria contado com a participação de outras pessoas. Segundo ela, dois homens chegaram a ser apontados durante as investigações, mas o Ministério Público entendeu que não havia elementos suficientes para que fossem levados a julgamento.
Suposta arma
Durante a sustentação, a promotora citou ainda uma informação que consta nos autos sobre uma pistola calibre 9 milímetros. Segundo Adilza, Carlos Henrique teria ido à residência da ex-mulher um dia antes do assassinato e pegado a arma.
A acusação afirma que o calibre seria o mesmo da arma utilizada para matar Adriano.
Outro ponto apresentado pela promotora foram conversas que fazem parte do processo. Entre as mensagens citadas está a frase “pistoleiro não entrega não”, que, segundo a acusação, poderia indicar uma tentativa de impedir que o executor revelasse informações sobre os possíveis mandantes do crime.
A promotora também contestou argumentos utilizados para tentar descredibilizar a vítima e testemunhas. Durante a fala, foram mencionadas alegações envolvendo um suposto relacionamento de Adriano com uma mulher casada e uma possível ligação com o Comando Vermelho.
Adilza ainda fez uma comparação com o assassinato do professor Paulo Bandeira e afirmou que Adriano teria sido morto em razão das críticas feitas à administração municipal.
Assassinato
Adriano de Farias Firmino Silva foi assassinado no dia 18 de junho de 2024, no povoado Retiro, zona rural de Junqueiro, no Agreste de Alagoas.
Segundo a denúncia, o blogueiro havia saído de uma academia e seguia para casa quando foi atingido por disparos de arma de fogo. Mesmo ferido, ele ainda conseguiu dirigir por aproximadamente 50 metros, mas perdeu o controle do veículo e colidiu.
Carlos Henrique Ferreira Santos foi preso em agosto de 2024, durante uma carreata política em Teotônio Vilela. O Ministério Público o aponta como executor do homicídio. Ele permanece preso preventivamente.
A defesa de Carlos Henrique nega as acusações apresentadas pelo Ministério Público.

