Natural de Palmeira dos Índios, Cosme Rogério Ferreira, professor do Ifal/Campus Batalha, apresentará em outubro uma experiência desenvolvida com estudantes alagoanos durante a Conferência Internacional de Sustentabilidade de 2026, promovida pela Universidade Villanova. O evento será realizado de 12 a 15 de outubro, em Roma, e contará ainda com uma programação especial em Castel Gandolfo, com participação do Papa Leão XIV.
O trabalho, intitulado “Educação territorial para a ecologia integral no Semiárido brasileiro”, foi selecionado para apresentação no dia 15 de outubro, na Aula Minor do Instituto Patrístico Agostiniano, vinculado à Pontifícia Universidade Lateranense.
A comunicação fará parte da sessão internacional “Educação e Pedagogia para a Sustentabilidade”, ao lado de pesquisas e experiências desenvolvidas em países como Estados Unidos, Nigéria, Peru e outras nações.
A pesquisa sistematiza uma experiência pedagógica realizada com estudantes do Ensino Médio Integrado do Curso Técnico em Biotecnologia do Ifal/Campus Batalha. O estudo mostra como uma educação climática conectada ao território pode contribuir para a alfabetização científica, o diálogo entre diferentes formas de conhecimento e a participação cidadã.
Experiência nascida no Semiárido
A experiência apresentada pelo professor palmeirense parte da realidade do Semiárido brasileiro, onde a degradação da Caatinga, os processos de desertificação, as dificuldades de acesso à água e as desigualdades sociais tornam mais visíveis os impactos da crise climática.
A pesquisa defende que a educação ambiental não deve se limitar à transmissão de informações científicas. A proposta é relacionar os problemas ecológicos e sociais, valorizar os conhecimentos produzidos pelas comunidades e criar condições para que os estudantes participem das discussões sobre o futuro de seus territórios.
O núcleo da experiência foi a Mini COP30, uma simulação de conferência climática realizada em 2025 no Campus Batalha. Depois de estudarem documentos científicos, ambientais e éticos, os estudantes foram divididos em cinco grupos, representando países, organismos científicos, movimentos sociais, povos tradicionais e instituições públicas.
Ao longo de quatro encontros, os participantes apresentaram posições e negociaram propostas relacionadas a acesso à água, agroecologia, transição energética, proteção da Caatinga, políticas públicas e defesa dos territórios.
“A experiência demonstrou que a educação climática se torna mais relevante quando parte do território vivido e reconhece estudantes e comunidades como sujeitos do conhecimento. Levar esse trabalho a uma conferência internacional significa dar visibilidade à Caatinga, à juventude sertanejo-alagoana e à contribuição da escola pública para o enfrentamento da crise socioambiental”, afirma Cosme Rogério.
Carta da juventude sertanejo-alagoana chegou a espaços nacionais
Um dos principais resultados da Mini COP30 foi a elaboração da Carta da Juventude Sertanejo-Alagoana pela Caatinga, documento que reuniu diagnósticos e propostas dos estudantes para a proteção do bioma e a promoção da justiça climática.
A Carta ultrapassou os limites do ambiente escolar, sendo registrada na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados e recebendo manifestações de ministérios e outras instituições governamentais, além da Presidência da República e da Presidência da COP30.
A experiência integra um itinerário institucional que articula ensino, pesquisa e extensão, a partir do estudo da Caatinga, da memória comunitária, dos saberes indígenas e tradicionais, da bioética e da comunicação pública.
Professor de Palmeira dos Índios leva a Caatinga para o debate internacional
A participação de Cosme Rogério também coloca em evidência a trajetória de um palmeirense que nasceu em Palmeira dos Índios e atua na educação pública alagoana.
A partir do trabalho desenvolvido no Campus Batalha, uma experiência construída com jovens do interior de Alagoas chegará a um espaço internacional de discussão sobre sustentabilidade, educação e justiça socioambiental.
Para o professor, a proposta é mostrar que o conhecimento produzido nas escolas públicas do Semiárido também pode contribuir para debates globais sobre o futuro do planeta.
Conferência reunirá referências internacionais
Entre os conferencistas anunciados estão o sociólogo norte-americano Robert D. Bullard, reconhecido internacionalmente como um dos fundadores do campo da justiça ambiental; a ambientalista queniana Wanjira Mathai, diretora para a África e Parcerias Globais do World Resources Institute e presidente da Fundação Wangari Maathai; e o cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
A programação também contará com painéis sobre sustentabilidade e inteligência artificial, habitação sustentável, justiça social, parcerias internacionais e práticas comunitárias de enfrentamento à crise climática.
Papa Leão XIV participará de cerimônia em Castel Gandolfo
Um dos momentos centrais da conferência ocorrerá no dia 13 de outubro, quando os participantes seguirão para o Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo.
A programação incluirá visita guiada ao local e a cerimônia de entrega da primeira Medalha Papa Leão XIV para a Sustentabilidade, marcada para as 17h30.
Segundo o Vatican News, a honraria será entregue pelo próprio Papa Leão XIV. Criada pela Universidade Villanova, a medalha reconhecerá pessoas e organizações cuja atuação articule proteção ambiental, justiça social, cuidado com populações vulneráveis e desenvolvimento humano integral.
A Universidade Villanova é uma instituição católica de tradição agostiniana. O então Robert Francis Prevost, hoje Papa Leão XIV, graduou-se em Matemática pela universidade em 1977 e recebeu da instituição o título de doutor honoris causa em Humanidades em 2014.
A participação do professor natural de Palmeira dos Índios insere uma experiência produzida no interior de Alagoas em um espaço internacional de diálogo científico, ético e social. O trabalho leva para Roma não apenas uma pesquisa acadêmica, mas também a realidade da Caatinga, do Semiárido e da juventude sertanejo-alagoana.
SERVIÇO
Evento: Conferência Internacional de Sustentabilidade de 2026
Tema: “Respondendo ao clamor da Terra e ao clamor dos pobres”
Período: 12 a 15 de outubro de 2026
Locais: Instituto Patrístico Agostiniano, em Roma, e Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo
Trabalho: “Educação territorial para a ecologia integral no Semiárido brasileiro”
Apresentação: 15 de outubro, das 13h30 às 14h50
Sessão: “Educação e Pedagogia para a Sustentabilidade”
Local: Aula Minor, Instituto Patrístico Agostiniano

