Polícia apura origem e destino do dinheiro e vai analisar contratos da empresa com o município; relação com a gestão JHC está entre os pontos que serão examinados.
A apreensão de R$ 2 milhões em dinheiro vivo em Maceió abriu uma investigação sobre a movimentação financeira de uma empresa que mantém contratos relacionados à iluminação pública da capital.
O dinheiro foi apreendido na sexta-feira (18), depois que dois funcionários ligados à empresa foram abordados ao deixar uma agência bancária no bairro do Farol. A quantia estava em espécie e foi encaminhada para uma conta judicial, permanecendo à disposição da Justiça.
As imagens exclusivas do momento da apreensão foram cedidas ao Estadão Alagoas por Danilo da Mídia.
R$ 5,084 MILHÕES EM SAQUES E SOLICITAÇÕES
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, entre 4 e 18 de setembro foram registrados saques e solicitações de retirada em espécie que chegaram a R$ 5,084 milhões.
Desse total, R$ 3,084 milhões haviam sido efetivamente sacados, enquanto outros R$ 2 milhões estavam programados para retirada no dia 18, quando ocorreu a operação policial.
A sequência incluiu um saque de R$ 84 mil, em 4 de setembro, seguido de uma retirada de R$ 1 milhão, no dia 8, e outra de R$ 2 milhões, no dia 11.
A investigação busca esclarecer a origem e a destinação dos recursos.
CONTRATOS COM A PREFEITURA SERÃO ANALISADOS
As Polícias Civis de Alagoas e Sergipe informaram que os contratos mantidos pela empresa com a Prefeitura de Maceió entre 2021 e 2026 deverão ser analisados no decorrer da investigação.
O período inclui a administração do ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC.
A inclusão dos contratos na apuração, porém, não significa que exista uma acusação contra JHC ou que o dinheiro apreendido tenha origem nos cofres públicos. Até o momento, não há confirmação oficial dessa relação.
PASSIVO DE R$ 212,2 MILHÕES
A empresa também mantém uma relação financeira de grande dimensão com o município.
Em abril de 2026, Município de Maceió, Ilumina e Ceilurb celebraram um Termo de Ajustamento de Gestão relacionado ao contrato de iluminação pública.
O acordo registrou um passivo de R$ 212.244.144,94. O valor incluía diferenças de reajuste e processos ainda pendentes de pagamento.
As partes chegaram a uma composição para a quitação do débito no valor de R$ 200 milhões.
O acordo foi firmado em 1º de abril de 2026, poucos dias antes da saída de JHC da Prefeitura de Maceió.
MAIS DE R$ 320 MILHÕES EM PAGAMENTOS
Levantamentos com base em dados públicos indicam que a empresa recebeu aproximadamente R$ 320,5 milhões em pagamentos do município desde 2021, por meio da autarquia responsável pela iluminação pública.
Somente em 2026, os pagamentos chegaram a aproximadamente R$ 52 milhões.
A proximidade entre pagamentos públicos e saques em espécie, entretanto, não comprova que os R$ 2 milhões apreendidos tenham origem nesses recursos. Essa eventual conexão ainda precisa ser demonstrada pela investigação.
MINISTÉRIO PÚBLICO TAMBÉM APURA CONTRATO
O contrato de iluminação pública também é alvo de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público de Alagoas.
O procedimento apura suspeitas relacionadas à aplicação de recursos públicos, execução, medição e pagamento de serviços de iluminação pública.
A existência do inquérito não significa que eventuais irregularidades tenham sido comprovadas.
O QUE A POLÍCIA INVESTIGA AGORA?
A principal questão é descobrir de onde vieram os R$ 2 milhões e para onde o dinheiro seria destinado.
Além da movimentação bancária, os investigadores devem analisar contratos, documentos financeiros e a relação da empresa com órgãos públicos.
Também existe a possibilidade de apuração sobre eventual crime eleitoral, segundo as autoridades, mas essa hipótese ainda depende da obtenção de elementos que possam confirmá-la.
Até agora, não está comprovado que o dinheiro apreendido tenha origem em recursos públicos ou que JHC tenha participação na movimentação investigada.
O que está confirmado é a apreensão dos R$ 2 milhões, a sequência de saques e solicitações em espécie, os contratos da empresa com o município e o passivo milionário reconhecido no acordo firmado em 2026.
A investigação segue em andamento.
Imagens exclusivas: Danilo da Mídia
