Brasil

Eleitorado com 70 anos ou mais cresce 170% em Alagoas

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Eleitorado brasileiro com 70 anos ou mais cresce 59% em 12 anos

O eleitorado brasileiro com 70 anos ou mais, faixa etária para a qual o voto é facultativo, cresceu 59% nos últimos 12 anos. Entre os estados, Amapá e Alagoas registraram os maiores aumentos percentuais, com alta de 224% e 172%, respectivamente. Maranhão e Ceará tiveram os menores crescimentos, com 31% e 32%.

O levantamento realizado pela Agência Tatu considerou dados do eleitorado residente no Brasil em 2014 e 2026, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2014, o país tinha 10,8 milhões de eleitores com 70 anos ou mais. Em 2026, são 17,2 milhões de pessoas nessa faixa etária aptas a votar.

No Amapá, o número passou de 11.235 eleitores com 70 anos ou mais, em 2014, para 36.493, em 2026. Alagoas aparece em seguida, com crescimento de 78.470 para 213.507 eleitores no período. Sergipe ocupa a terceira posição, com alta de 137%, passando de cerca de 66 mil para 157 mil eleitores.

Alagoana mantém hábito de votar

 

A alagoana Benedita Roberto Lira, de 78 anos, é um exemplo desse comportamento. Moradora de Santana do Mundaú, a cerca de 100 quilômetros de Maceió, ela mantém o hábito de participar das eleições, mesmo com o voto facultativo a partir dos 70 anos.

Para a aposentada, votar é uma forma de exercer um direito.

“Eu sei que não sou obrigada mais a votar, mas acho muito importante e vou votar até o dia que Deus permitir, porque o voto é um direito e uma forma de participar das decisões do país”, afirma.

A decisão de continuar votando também é acompanhada pela filha, Maria da Penha Batista, que admira a disposição da mãe em participar das eleições.

“Ela é muito atenta e faz questão de votar. Acho importante essa decisão dela e respeito, pois ela tem o direito de escolha”, afirma.

Maranhão tem menor crescimento

Na outra ponta do levantamento, os três estados com os menores crescimentos do eleitorado com 70 anos ou mais no período analisado são do Nordeste: Maranhão, Ceará e Bahia.

O Maranhão tinha 343 mil eleitores nessa faixa etária em 2014. Em 2026, são 451 mil, um crescimento de 31%.

No Ceará, o aumento foi de 32%, com o número de eleitores passando de 508 mil para 671.557. Já a Bahia registrou crescimento de 37%, saindo de 782.826 para cerca de 1 milhão de eleitores com 70 anos ou mais.

Faixa etária representa 8,74% do eleitorado de Alagoas

A reportagem também comparou, em 2026, a participação dos eleitores com 70 anos ou mais no eleitorado total de cada estado.

Entre os estados nordestinos, o Maranhão apresenta o menor percentual. Dos 5,1 milhões de eleitores do estado, 451 mil têm 70 anos ou mais, o equivalente a 8,7%.

Alagoas aparece logo na sequência, com 8,74%. São 213.507 eleitores nessa faixa etária entre os cerca de 2,4 milhões de eleitores do estado.

Os maiores percentuais estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste. No Rio Grande do Sul, os eleitores com 70 anos ou mais somam 1,2 milhão e representam 14,5% dos 8,5 milhões de eleitores, o maior percentual do país. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com 14,3%, e Minas Gerais, com 12,7%.

Alagoas tem 673 eleitores com 100 anos ou mais

Outro dado que chama atenção é o crescimento do número de eleitores com 100 anos ou mais. Em todo o Brasil, o aumento foi de aproximadamente 1.300% em 12 anos.

Em 2014, havia cerca de 21 mil eleitores nessa faixa etária. Em 2026, o número ultrapassou 297 mil.

No Nordeste, Pernambuco liderou o crescimento, com alta de 911%. O estado tinha 862 eleitores com 100 anos ou mais aptos a votar em 2014 e chegou a 8.722 em 2026.

Sergipe aparece em seguida no recorte regional. O número passou de 74 para 601 eleitores, um aumento de 712%.

Alagoas ocupa a terceira posição, com crescimento de 615%, passando de 94 para 673 eleitores com 100 anos ou mais.

Participação nas eleições

Para Augusta Oliveira, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o crescimento desse eleitorado representa um avanço social.

“Apesar de não ter a obrigação de votar, é muito importante a participação dessa parcela do eleitorado na escolha de candidatos que tenham políticas públicas voltadas para a população idosa, porque, a partir do momento em que não há esse voto, ele deixa a pauta de políticas públicas muito vaga. Então, o político não se sente na obrigação, já que aquele não é um eleitor dele”, pontuou.

A cientista política também chama atenção para a necessidade de adaptação da comunicação dos candidatos a esse público. Segundo ela, pesquisas apontam um aumento do uso das redes sociais entre idosos, embora esse grupo ainda esteja mais concentrado em determinadas plataformas.

Ela destaca ainda as diferenças entre idosos que tiveram ou não acesso à educação e entre aqueles que vivem na zona rural, onde o acesso à internet pode ser limitado.

“Foi constatado que muitos utilizam apenas o Facebook, com uma proporção muito baixa nas outras redes. Além disso, na realidade da população rural, por exemplo, o rádio e a televisão são fundamentais. Então, os candidatos precisam se policiar e saber como vão se comunicar com esses eleitores”, acrescentou.

Geração que vivenciou a redemocratização

Para Mayres Pequeno, cientista social e mestre em Ciência Política pela UFPE, o aumento da participação eleitoral entre pessoas com 70 anos ou mais pode estar relacionado à trajetória política dessa geração.

“O eleitor que hoje tem 70 anos ou mais vivenciou períodos de restrição dos direitos políticos e presenciou todo o processo de redemocratização do Brasil. Para essas pessoas, ir à eleição é compreendido como uma conquista civil”, afirmou.

Mayres também relaciona o fenômeno à transição demográfica brasileira. Com o crescimento da população idosa, esse grupo passou a representar uma parcela cada vez maior do eleitorado.

Segundo ela, porém, o envelhecimento da população não explica sozinho a participação desse grupo, já que fatores históricos e institucionais também ajudam a compreender o comportamento nas urnas.

Outro fator apontado pela cientista social é a atuação da Justiça Eleitoral na redução de barreiras ao exercício do voto. Medidas de acessibilidade, como adequações no acesso às seções eleitorais e prioridade nas filas, podem favorecer o comparecimento de um eleitorado para o qual o voto é facultativo.

“Quando o voto não é obrigatório, o comparecimento elevado desse grupo depende de estímulos contínuos”, afirma Mayres.

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