A promessa de ganhos rápidos nas plataformas de apostas esportivas pode ter o efeito contrário e comprometer seriamente o orçamento familiar. O uso de dinheiro destinado a despesas essenciais, a contratação de empréstimos para continuar jogando e a tentativa de recuperar prejuízos por meio de novas apostas estão entre os principais sinais de alerta.
O contador e coordenador dos cursos de Gestão da Uninassau Maceió, Alex Leite, explica que a frequência das apostas, aliada à falta de planejamento financeiro, transforma o hábito em uma saída constante de recursos, reduzindo a capacidade de pagar contas, formar uma reserva de emergência ou investir.
Segundo o especialista, a situação se agrava quando o apostador tenta recuperar o dinheiro perdido realizando novas apostas, comportamento que aumenta o risco de endividamento e pode levar ao uso de crédito para financiar o jogo.
“Isso se traduz na compressão da margem de manobra para gastos essenciais, como moradia, saúde e educação, e na degradação do score de crédito por causa dos atrasos em contas a pagar”, explica Alex Leite.
Entre os principais sinais de desequilíbrio financeiro estão utilizar recursos destinados às despesas básicas para apostar, ultrapassar o orçamento reservado ao lazer, contrair dívidas e atrasar o pagamento de contas para continuar jogando.
Para quem já enfrenta dificuldades por gastar mais do que pode, a recomendação é interromper imediatamente os depósitos nas plataformas de apostas, identificar as dívidas acumuladas e reorganizar o orçamento. A prioridade deve ser o pagamento das despesas essenciais e das dívidas com juros mais elevados.
“Se houver endividamento, deve-se buscar a renegociação de prazos e taxas. Caso o comportamento de risco persista de forma compulsiva, o recomendado é buscar intervenção profissional e especializada”, orienta o contador.
Alex Leite também defende o fortalecimento da educação financeira, a ampliação da fiscalização do setor e a adoção de restrições à publicidade que apresente as apostas como forma de investimento ou fonte de renda. Segundo ele, manter uma reserva de emergência é uma medida fundamental para enfrentar imprevistos sem recorrer a alternativas financeiras de alto risco.

