O número de casos de violência contra mulheres em ambientes digitais disparou no Brasil em 2026. Dados da Central de Atendimento à Mulher Ligue 180 mostram que, entre janeiro e maio deste ano, foram registrados 16.725 atendimentos relacionados a esse tipo de violência, um aumento de 188% em comparação ao mesmo período de 2025, quando houve 5.795 registros.

As denúncias também apresentaram crescimento. Segundo o Ministério das Mulheres, foram contabilizadas 2.281 denúncias de violência digital nos cinco primeiros meses deste ano, contra 1.494 no mesmo intervalo do ano passado. De acordo com o governo federal, uma única denúncia pode reunir diferentes tipos de violações sofridas pela vítima.
Entre os crimes mais recorrentes estão ameaças, perseguição virtual (stalking), invasão de contas em redes sociais, divulgação de imagens íntimas sem autorização, chantagens e o uso de inteligência artificial para a criação de conteúdos falsos, conhecidos como deepfakes.
Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o aumento dos registros também reflete melhorias nos mecanismos de acolhimento e identificação dos casos. Segundo ela, a obtenção de dados mais precisos é fundamental para a formulação de políticas públicas eficazes de proteção às mulheres.
Diante do crescimento das ocorrências, o Governo Federal anunciou uma atualização no sistema do Ligue 180.
A medida inclui a capacitação das atendentes para o reconhecimento e acolhimento das vítimas de violência digital, além da modernização da plataforma de registros, permitindo uma descrição mais detalhada das ocorrências.
As mudanças começaram a ser implementadas no último dia 9 de junho e têm como objetivo fortalecer a rede de proteção às mulheres diante dos desafios impostos pelo avanço das tecnologias e das formas de violência praticadas no ambiente virtual.
