A proposta do governo dos Estados Unidos de ampliar tarifas sobre produtos brasileiros pode atingir mais de um terço das exportações nacionais destinadas ao mercado norte-americano, segundo projeção divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com o levantamento, 31,6% das vendas brasileiras para os Estados Unidos passariam a enfrentar uma tarifa de 37,5%, um aumento significativo em relação aos atuais 10%. Outros 3,6% dos embarques seriam submetidos a uma alíquota de 12,5%.
As medidas foram propostas após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais às empresas americanas. Entre os temas citados estão o sistema de pagamentos PIX, políticas ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal, questões de propriedade intelectual e o enfrentamento à corrupção.
O órgão norte-americano sugeriu a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Apesar disso, uma lista de exceções foi elaborada para itens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos, incluindo café, carne bovina, frutas, aeronaves e minerais de terras raras.
Segundo a CNI, caso a proposta seja confirmada, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão diretamente afetadas. Quando consideradas também as tarifas setoriais já existentes, o percentual de produtos sujeitos a algum tipo de sobretaxa pode alcançar 54,1%.
Entre os segmentos mais impactados está o de ferro-gusa, produto que movimentou cerca de US$ 1,5 bilhão em exportações para os Estados Unidos em 2024. A tarifa incidente sobre o item poderá saltar de 10% para 37,5%.
Também estão na lista dos produtos sujeitos à alíquota mais elevada o açúcar de cana em forma sólida, o sebo não comestível, o álcool etílico não desnaturado e molduras de madeira de pinho. Já produtos como minério de ferro em pelotas, silício, lajes de quartzito, óleos essenciais de laranja e determinados tipos de pasta de madeira poderão enfrentar uma tarifa de 12,5%.
Apesar da preocupação do setor produtivo, as medidas ainda não foram oficializadas. Antes de qualquer decisão definitiva, a proposta passará por um período de consulta pública e audiências conduzidas pelas autoridades norte-americanas.
O governo brasileiro acompanha as discussões e aposta na via diplomática para tentar evitar a implementação das novas tarifas. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que parte das medidas ainda pode ser revista por meio de negociações entre os dois países.
A investigação que fundamenta a proposta foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado para apurar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais e que já serviu de base para a imposição de tarifas contra outros países em disputas econômicas anteriores.
Com informações da CNN Brasil
